Economia
Pequeno varejo faz retração de estoque
São Paulo, SP Sob o risco de faltar capital de giro, o Mini Mercado Superação, uma pequena porta no bairro paulistano do Bexiga que vende verduras e outros itens de abastecimento industrializados, mudou toda a gestão de seu estoque. Passei a fazer menos compras porque as minhas vendas caíram. Se antes eu pedia 15 caixas de cerveja por semana, hoje eu compro três. Agora eu só compro de novo quando a minha mercadoria acaba, diz Maria Selma Alves de Oliveira, dona do mercadinho, que é um microcosmo do que hoje se passa nos depósitos do varejo brasileiro em geral. Segundo a Neogrid, multinacional especializada em gestão de estoque que reúne informações de mais de 10 mil lojas que comercializam bens não duráveis no Brasil, o varejo começou a suspender pedidos para a indústria nos últimos meses. O ímpeto de comprar para abastecer seus estoques despencou no grupo que reúne o varejo de alimentos, bebidas e fumos, representado por estabelecimentos de menor porte. O indicador do Ibre/FGV que aponta a proporção de empresas que pretendem comprar menos de seus fornecedores no trimestre seguinte passou de 109,3 pontos em junho para 102,8 em agosto. A curva indica que esse varejo de menor porte constatou a situação com alguma defasagem, se observarmos que o grupo de supermercados e hipermercados já vinha calibrando isso desde o fim do ano passado, diz o economista do Ibre, Aloisio Campelo, que elaborou os dados.