Economia
Crise afeta setor de restaurantes
Brasília, DF Os efeitos da crise já rondam o Banco Central. Literalmente. Os 14 restaurantes localizados atrás da sede da instituição têm se digladiado nos últimos meses em busca de clientes. Vale tudo: faixas com promoções, redução do preço do quilo, aperitivos alcoólicos grátis, desconto para servidor público. Vale até laçar na porta do BC funcionários para experimentarem o novo almoço executivo que o Piantella um tradicional restaurante da capital, considerado de elite e que foi cenário de muitas decisões políticas passou a oferecer para concorrer com as demais casas. A disputa pelos servidores da região em tempos de redução de movimento ficou tão acirrada que até restaurantes de outros locais passaram a distribuir folhetos nas redondezas, como é o caso do Sensei, especializado em comida japonesa e que fica uma quadra mais distante. Pelas calçadas das redondezas circulam funcionários do BC, da Caixa, da Polícia Federal e de mais várias autarquias e órgãos públicos, considerados de classe média alta. A rua atrás do BC, segundo o presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes do Distrito Federal (Sindhobar), Jael Antonio da Silva, é um retrato do que ocorre em todo o setor, formado por 9 mil estabelecimentos em Brasília. Os números do Sindhobar chamam atenção. Desde o início do ano, foram 8 mil demissões de funcionários causadas, sobretudo, pela queda do movimento: 20% no Plano Piloto e 40% nas cidades-satélites.