Economia
D�lar sobe quase 1% e fecha a R$ 2,89
São Paulo - Uma grande compra de dólares feita no mercado ontem pelo Banco do Brasil seria o principal fator a explicar a forte valorização registrada pela moeda norte-americana no fechamento. O dólar comercial terminou o dia vendido a R$ 2,892, com alta de 0,94%, interrompendo seqüência de cinco quedas. Segundo operadores, a operação do banco se destacou no final da manhã, mas não ficou claro se a compra era destinada a algum grande cliente - uma empresa do porte da Petrobras, por exemplo - ou para fazer reserva. Um analista classificou a transação como ?esquisita?. ?Porque é fácil ficar sabendo se foi uma companhia que deu ordem de compra, já que ela teria feito cotações da moeda em outros bancos também, e não só no Banco do Brasil?, afirmou. Caso o BB estivesse comprando dólares em nome do Tesouro Nacional, isso sinalizaria ao mercado que o piso da moeda é por volta dos R$ 2,85, ou seja, o governo não deixaria o dólar cair para menos que isso. O dólar acumula desvalorização de 16% desde o começo de abril e muitos especialistas diziam que cotação a menos de R$ 3 prejudicaria as exportações do País. Entretanto, o ministro Antonio Palocci (Fazenda) sempre repete que o câmbio é flutuante e que não há intenção do governo de intervir. A cotação mínima do dólar comercial ontem foi R$ 2,844 e a máxima, R$ 2,901. O paralelo ficou em R$ 3,050 (+1,66%) e o turismo, R$ 2,96 (-0,33%). Risco-país em baixa O risco-Brasil, que mede o apetite de investidores internacionais por ativos brasileiros, caiu, chegou a cair, ontem pela nesta manhã, abaixo dos 700 pontos, patamar não visto desde fevereiro de 2001. O movimento está inserido num contexto de otimismo em relação às reformas brasileiras, mas também é baseado por razões técnicas, ligadas à procura por aplicações mais rentáveis no mundo. Segundo o índice EMBI+ do banco JP Morgan, o risco Brasil, fechou em queda de 1,38%, aos 710 pontos-básicos acima dos títulos do Tesouro norte-americano. Isso significa que, para se tornarem atraentes ao investidor, os títulos brasileiros precisam pagar juros 7,10% superiores aos dos papéis do governo dos Estados Unidos. Os C-Bonds, principais títulos da dívida extrna brasileira, seguiam a trajetória de alta dos últimos pregões e foram cotados a 91,00% do valor de face, em ligeira queda de 0,20%. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou com alta de 0,76%, aos 13.420 pontos. A volatilidade dos negócios na segunda parte do pregão elevou o giro financeiro, que chegou ao R$ 1,087 bilhão. Com o resultado, o Ibovespa já acumula elevação de 18,21% no ano, acima dos 17% perdidos em 2002.