Economia
Governadores sofrerão pressão por reajustes
Brasília, DF Os estados que aderirem à renegociação das dívidas com a União terão um grande desafio para cumprir a contrapartida que exige a limitação do crescimento das despesas à inflação do ano anterior. Na avaliação da secretária de Fazenda de Goiás, Ana Carla Abrão, os governadores passarão a sofrer pressão para reajustes acima da inflação por parte das categorias mais fortes e não terão base legal para negar. Isso porque foi retirado do projeto que trata da renegociação da dívida o dispositivo que proibia a concessão de aumentos acima da inflação a servidores estaduais por dois anos. A capacidade de resistência de um governador com uma polícia em greve vai ser mínima. O governador que terá problema, quem perdeu foram os governadores e os Estados, avaliou a secretária que estava presente durante a votação do texto-base do projeto no plenário da Câmara. Para Ana Carla, os servidores públicos com menor poder sindical acabarão prejudicados. COMPRAR BRIGA Ela não considera que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tenha perdido. Para ela, o resultado da votação se deve também à forte pressão dos sindicalistas que estavam presentes na Câmara. Os deputados foram sensíveis aos argumentos dos sindicatos e não quiseram comprar essa briga, disse antes de lembrar que o Congresso tem toda a legitimidade para tomar suas decisões e que os congressistas são soberanos. Caso os estados não consigam cumprir com a contrapartida de crescimento das despesas à inflação do ano anterior, eles terão que devolver em 12 parcelas todos os alívios e vantagens que tiveram com o desconto, além de perderem o alongamento proposto no projeto. Essa missão ficará mais difícil sem a base legal retirada da matéria pela Câmara.