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Quase 52% das negociações ficam abaixo da inflação

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São Paulo, SP Pouco mais de metade das negociações coletivas com vigência em agosto tiveram reajustes salariais inferiores à inflação, conforme o projeto Salariômetro da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O estudo mostra que 51,8% das negociações resultaram em ajustes salariais abaixo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), ante 36,2% em julho. Enquanto a inflação medida pelo índice acumulou 9,6% em 12 meses até agosto, os trabalhadores obtiveram nos acordos coletivos um aumento de 9,0%, em média, conforme o Salariômetro. De um total de 162 acordos coletivos no oitavo mês do ano, 17 fixaram redução de jornada de trabalho seguida de redução de salários. Destes, conforme o estudo, um utilizou o Programa de Proteção ao Emprego (PPE). Já dos 527 acordos coletivos com redução salarial negociados entre janeiro de 2015 e agosto deste ano, 131 utilizaram o PPE. Mesmo com as condições econômicas adversas, de certa forma, os acordos vinham empatando em relação à inflação, ressaltou o coordenador da pesquisa, o professor Hélio Zylberstajn da Faculdade de Economia da USP. O surpreendente era o fato de que estavam conseguindo reajustes (alinhados com a inflação) em meses anteriores, empatando, afirmou. Contudo, com a deterioração inflacionária e da atividade, os reajustes salariais passaram a ficar abaixo da inflação, como ocorreu em agosto. Com a recessão profunda, as empresas não conseguem vender, faturar. Para repor a inflação, as empresas precisam conceder um aumento de quase 10%, disse Zylberstajn.

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