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Seca sai do campo e atinge comércio de municípios

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São José da Tapera Não é apenas no campo que a paisagem seca entristece o sertanejo. A estiagem prolongada, que completa cinco anos consecutivos, reflete também no comércio da região. Como a agricultura e a pecuária continuam sendo as principais atividades econômicas no Médio e Alto Sertão, a economia dos pequenos municípios definha como o gado que morre por falta de pastagem. A gente passa boa parte do dia de pé, na frente da loja, esperando que algum cliente apareça, mas está feia a coisa, viu? Ainda não cheguei a passar um dia sem vender nada, graças a Deus, porque, se isso acontecesse, acabaria tendo que fechar as portas, afirmou Alaércio Soares dos Santos, que é proprietário de uma loja de confecções e calçados no centro de São José da Tapera. De acordo com ele, os meses de janeiro e fevereiro geralmente são ruins de vendas, mas este ano está ainda pior. Para tentar atrair fregueses e colocar novidades na frente da loja, passou a vender mochilas escolares, mas o investimento não compensou. A minha sorte, em comparação a outros comerciantes, é que não tenho empregados. Aqui trabalhamos eu, minha esposa e minha filha. Já tem mais de um ano que estamos passando por essa crise e, enquanto tiver seca, vai ser difícil de as coisas melhorarem, declarou. Alaércio Soares afirmou que, até meados do ano passado, vários comerciantes fecharam as portas por conta da crise. Os que resistem, assim como ele, avaliam que a situação financeira da família ficaria ainda pior se fechasse as portas. Além da seca, o Banco do Brasil que foi explodido há seis meses nunca voltou a funcionar direito, então quem recebe aposentadoria ou benefícios pelo banco precisa viajar para Olho dÁgua das Flores ou Santana do Ipanema para sacar o dinheiro, e muita gente acaba gastando por lá mesmo, lamentou. Para o vendedor ambulante de calçados Dâmaso Ricardo, na feira livre, que acontece aos sábados, o movimento melhora um pouco, mas durante a semana, há dias em que ele vende apenas um ou dois pares de calçados. Sei que estas últimas semanas vendi um pouco mais por conta do início das aulas, então houve uma procura por tênis, mas mesmo assim as vendas estão piores que no ano passado. Só não me queixo porque sei que tem lugares em que a situação está bem pior, afirmou o comerciante.

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