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Agora o pessoal viu nosso peso

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É uma profissão que eu gosto, apesar de a gente não ser valorizado por quase ninguém. Agora o pessoal viu nosso peso, a gente parou quase tudo, conta o caminhoneiro autônomo José da Silva, que costuma rodar o Brasil realizando entregas de uma empresa fabricante de forros de PVC. O tempo para fazer com que a mercadoria chegue ao destino é grande: ele costuma ficar uma média de 25 dias fora a cada viagem. Nelas, passa por locais como Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco, Paraíba, Bahia. Paradas internacionais, como a Bolívia mais precisamente na divisa com o Mato Grosso do Sul , também estão na rota. A recompensa vem pelo preço dos fretes, que variam de acordo com o destino final. O caminhoneiro não revela o valor, mas ressalta que ele não é suficiente. Como sou autônomo, costumo ganhar o frete e estou com dificuldade para manter os compromissos. O custo de manter um caminhão na estrada é muito alto. Tem pneu, motor; a manutenção é muito cara e o frete hoje em dia não está compensando, aponta ele, que, se por um lado enxerga as dificuldades, por outro mostra todo o orgulho do ofício que escolheu para si. Religioso, Felipe, como é mais conhecido, conta que saiu da roça, como gosta de afirmar, para ser caminhoneiro. Cortava cana nessas usinas todas, limpava mato, mas tinha o sonho de ser caminhoneiro. Às vezes estava voltando da roça, passava um caminhão e eu dizia: Senhor, quero ser caminhoneiro. Deus honrou meu pedido. Queria ter um caminhão novo, um carro pequeno na garagem, mas, só de ter condições de manter minha casa, meus compromissos e minha filha na faculdade, sou um homem rico.

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