Economia
Presidente do BC descarta redu��o de juros
Sevilha - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, em entrevista ao jornal El País publicada ontem, disse que ?não haverá uma baixa de taxas de juros, até que se tenha reduzido a inflação?. Segundo Meirelles, ?o momento para baixar os juros será determinado pelo ritmo de ajuste dos preços? ao objetivo de metas inflacionárias estabelecidos pelo BC. Ele observou que na semana que vem será realizada a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quando será analisado o que se passa com os preços e com os juros. ?Mas insisto que a prioridade é a redução da inflação, e utilizaremos qualquer meio ao meu alcance para conseguir o objetivo?, disse Meirelles ao diário espanhol. Meirelles observou que o real está ganhando terreno em relação ao dólar, desde a volatilidade pré-eleitoral, e isso resultou em redução da inflação. ?Agora mesmo estamos muito atentos a este processo?, explicou. Segundo El País, Meirelles evitou dizer se o BC interviria no mercado em caso do ressurgimento de um movimento especulativo, mas deixou claro que não permitirá que sua estratégia seja afetada, sem usar todas as armas de que dispõe. ?A política do Banco Central, no médio prazo, será conservadora.? Ele disse que os juros elevados intrabancários, que neste momento superam os 26%, não parecem ser a causa da restrição de crédito no País. ?No ano passado, as taxas estavam mais baixas e o nível de créditos era mais ou menos o mesmo. A concessão ou pedidos de crédito dependem mais da inflação, pois, se ela se reduz, pode-se baixar as taxas de juros?, disse. Inércia O Banco Central deve manter inalterada a taxa básica de juros da economia na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) na semana que vem. A previsão foi feita em enquete da agência de notícias Reuters com 26 economistas brasileiros. Dos entrevistados, 18 apostam que o BC não vai mexer na Selic, atualmente em 26,5% ao ano. Desses, 16 prevêem que o Copom vai começar a baixar gradualmente os juros em junho. Três economistas também acreditam que o Copom vai adotar um viés de baixa, que lhe permite mexer na taxa sem necessidade de convocar uma reunião extraordinária. Oito economistas, no entanto, apostam que o Copom vai ceder às pressões e reduzir a Selic já na próxima semana.