Economia
Farinha de trigo tem aumento de 11%
Patrycia Monteiro Editora de Economia Nos próximos dias, o consumidor pode preparar o bolso para os reajustes de preços de biscoitos, massas e pães. É que, desde segunda-feira, a farinha de trigo ficou 11% mais cara e deve provocar impacto nos valores de produtos derivados da matéria-prima. A razão desse aumento se deve à falta de trigo no mercado externo. Apesar de a última safra do cereal ter sido boa, garantindo teoricamente o equilíbrio entre oferta e demanda, a China resolveu fazer aquisição extra de trigo diminuindo os estoques internacionais, aumentando em 30% o valor do produto. Com isso, a saca de 50 quilos da farinha de trigo saltou de R$ 66 para R$ 74, em média, no começo da semana. Até junho, novos reajustes estão previstos. Estimamos que o preço da saca chegue a custar R$ 80, afirma Idair Reis, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), diretor comercial do Moinho Motrisa de Sergipe. De acordo com Reis, a produção nacional de trigo ainda é insuficiente para atender à demanda interna do produto. Assim, as importações contribuem significativamente para o abastecimento nacional, sobretudo no Nordeste, afirma o executivo, mencionando que a farinha de trigo consumida na região é fabricada utilizando o cereal argentino. Agora, a Argentina está redirecionando sua produção para outros mercados, fazendo com que os moinhos busquem a matéria-prima em outros países como Estados Unidos e Canadá, afirma Idair Reis. Agravante Um aspecto negativo atrelado à compra do produto vindo da América do Norte é que ele paga mais frete graças a distância maior. Além disso, os navios que fazem o transporte do trigo também estão em falta porque as entregas na China têm sido lentas. Outro agravante está nos tributos sobre a importação. Como o Canadá e os Estados Unidos estão fora do Mercosul, há uma taxa adicional de 11%, explica Reis. Segundo o executivo da Motrisa, o único moinho em operação de Alagoas, a indústria de biscoitos e massas deve fazer esse repasse de custos imediatamente para o consumidor. Entretanto, as padarias podem levar mais tempo. Geralmente, as panificadoras de bairros mais nobres respondem rápido ao aumento de matéria-prima. O mesmo não podemos esperar das pequenas padarias situadas em bairros mais populares. Em geral, elas tentam absorver o aumento por causa da competição acirrada com as concorrentes - o que acaba diminuindo muito as margens de lucros dessas empresas, afirma o vice-presidente da Abitrigo.