Economia
IBGE: Inflação avança 0,61% em março
Pedro Soares Folhapress O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,61% em março, sob forte impacto de preços administrados, especialmente do reajuste das tarifas de ônibus em São Paulo, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Somente o item ônibus urbano contribuiu com 0,25 ponto percentual da variação de março. Sua alta foi de 5,02%. A tarifa de Porto Alegre também subiu. Mudou o perfil da inflação. Saiu o impacto da educação, que pesou em fevereiro, e entrou o do ônibus??, afirmou Eulina Nunes dos Santos, gerente de Índices de Preços do IBGE. No trimestre, o IPCA acumula alta de 1,79%, ante 1,85% em igual período de 2004. Em março, a inflação ficou dentro do previsto pelo mercado - 0,60%. De acordo com o IBGE, os índices mostram estabilidade nos três primeiros meses do ano na faixa de 0,6%. Em fevereiro, o IPCA foi de 0,59%. Em janeiro, de 0,58%. O patamar, porém, é alto para atingir a meta do Banco Central, dizem especialistas. O problema é que o teto permitido para este ano é bem menor -6,5%, contra 8,5% de 2004. Especialistas afirmam que a inflação deveria estar num nível mais baixo para que o BC alcançasse a meta ajustada de 5,1%. O resultado do IPCA não alterou significativamente as expectativas quanto à evolução dos juros. Consultorias prevêem aumento de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na reunião do Copom deste mês. De acordo com Alexandre Sant?Anna, da ARX Capital, os preços administrados foram os grande vilões, com alta de 1,29% - eles haviam subido 0,38% em fevereiro. Dor de cabeça Além dos ônibus - que em apenas três meses subiram 4,52%, quase a mesma taxa de todo o ano passado (4,74%) -, outros preços administrados impulsionaram o índice de março. Sofreram reajustes itens como taxa de água e esgoto (4,42%), gasolina (0,71%), álcool (0,57%) e telefonia celular (2,83%). Somados, os administrados contribuíram com 0,38 ponto percentual do IPCA de março. Em abril, já há mais dor de cabeça à vista para o Banco Central: pressionarão a inflação reajustes de energia, um novo aumento de ônibus (no Rio e um resíduo da alta de Porto Alegre), além das altas de ligações de telefone fixo para móvel e remédios. A ARX Capital prevê que somente os aumentos de energia e ônibus contribuíram com 0,15% para a taxa de abril. A GRC espera uma taxa de 0,55% neste mês. Para o ano, a expectativa é de uma IPCA de 6,1%. O IBGE, porém, destaca duas boas notícias: os preços dos alimentos cederam em razão da queda do dólar e os aumentos do aço já não mostram impactos expressivos nos preços ao consumidor em março. Para Nunes dos Santos, do IBGE, não há sinais claros de inflação de demanda nem de repasses dos aumentos no atacado de commodities agrícolas (soja, milho, trigo) e derivados para o varejo. Os alimentos, ao contrário, ajudaram a conter a inflação em março. Produtos como pão francês, farinha de trigo, macarrão e óleo de soja caíram na esteira do recuo do dólar americano. Os alimentos subiram 0,26% em março. A alta em fevereiro havia sido de 0,49%.