Economia
Alagoas tem menor crescimento no PIB
Patrycia Monteiro Editora de Economia Ano passado, a economia nordestina obteve crescimento um pouco acima da média nacional. Enquanto o Brasil apresentou uma variação de positiva de 5%, o Nordeste teve um desempenho de 5,39%. É o que afirma da Datamétrica Consultoria, Pesquisa e Telemarketing de Pernambuco em seu Boletim de Conjuntura Econômica do Nordeste. Este ano, a região deve repetir a mesma proeza. Entretanto, o ritmo de crescimento tanto do Brasil como o de Nordeste vai ser um pouco menor ? respectivamente, da ordem de 3,8% e 4,1%. ABAIXO Mas, o desempenho positivo do Produto Interno Bruto (PIB) da região não atingiu homogeneamente todos os estados nordestinos. Alagoas, Maranhão e Sergipe tiveram resultados de crescimento menores do que a média nacional em 2004. Segundo a Datamétrica, a economia alagoana cresceu 4,01%, a maranhense 4,99% e a sergipana 4,61% - ou seja, Alagoas foi o Estado nordestino que menos cresceu no ano passado. Só a título de esclarecimento, o Produto Interno Bruto é o valor em reais de todas as riquezas geradas em um país, ou Estado ao longo de um ano. Diante do quadro de retração de crescimento nacional, as perspectivas de Alagoas este ano também não são das melhores. De acordo com o estudo da consultoria pernambucana, o Estado permanecerá em 2005 com o menor crescimento da região. As estimativas apontam que a economia alagoana terá apenas 2,85% de crescimento (ver tabela) contra 3,84% de Sergipe e 3,86% do Maranhão 4,09%. ### Turismo atrai investidores para Estado, diz economista O melhor desempenho da região Nordeste ficará por conta do Rio Grande do Norte que terá incremento do PIB da ordem de 4,65%. Em seguida vem o Piauí (4,36%), Paraíba (4,26%) e Pernambuco (4,22%). A média de crescimento de Alagoas ficou abaixo das médias nacional e regional em função da crise fiscal do Estado no passado. Com isso houve uma desarticulação que promoveu uma certa descrença na iniciativa privada, afastando novos investimentos, explica o economista Alexandre Rands, da Datamétrica Consultoria, Pesquisa e Telemarketing. Por outro lado, Rands acredita que, em 2006, o Estado vai começar a despontar. Na minha opinião, Alagoas está conseguindo reverter a imagem negativa que tem. Apesar de ainda não dispor de margens para investimentos em infra-estrutura e do grande endividamento atual, o Estado vem mostrando seu esforço em promover um ajuste fiscal e organizar a máquina pública ? o que é positivo, afirma o consultor. Segundo Rands, atualmente os empresários já cogitam apostar suas fichas em terras alagoanas, sobretudo no setor de turismo. Em relação ao setor sucroalcooleiro, Alexandre Rands acredita que este será um ano positivo, já que os preços no mercado externo permanecem bons. Em relação ao desempenho da próxima safra, o economista acha difícil fazer previsões por causa do clima. Este ano houve uma pequena quebra de safra, devido à seca, que foi compensada pela concentração da sacarose, o que impediu que, produção de açúcar e álcool fosse reduzida. Por outro lado, as exportações trouxeram equilíbrio aos negócios, diz. ### Desaquecimento mundial deve prejudicar exportações Quanto às possíveis perdas financeiras em função da desvalorização do dólar frente ao real, o economista Alexandre Rands acredita que, já no segundo semestre o câmbio vai apresentar um reversão de tendência. Ao que tudo indica, o governo federal deve reduzir a taxa básica de juros, o que vai fazer com que o a cotação do dólar se recupere, diz. Rands menciona que os empresários do setor sucroalcooleiro nordestino não costumam fazer hedge cambial ? fixando taxa de câmbio na época de fechamento de contrato - para prever possíveis perdas com a variação do dólar, afetando na parte física o que perderam na parte financeira da transação. Só os grupos empresariais adotam a medida de retaguarda, ressalta. Rands lembra que, em 2004, as exportações nordestinas apresentaram incremento forte de 31,6%. A balança comercial da região foi principalmente alavancada pela comercialização de automóveis, açúcar bruto, soja e seus derivados, produtos do setor petroquímico e do mínero-metalúrgico. Mas, esse desempenho não deve se repetir em 2005, destaca o economista. Uma das razões será o desaquecimento da economia mundial. Entretanto, alguns produtos exportados continuam com cotação elevada no mercado internacional, entre eles, está o açúcar, os produtos da petroquímica e mínero-metalurgia. Outro itens da pauta de exportações nordestinas como camarões e celulose, por exemplo ? que tiveram um desempenho fraco em 2004 ? devem se recuperar este ano, analisa. Segundo Rands, as vendas do comércio varejista nordestino devem permanecer aquecidas este ano depois da retomada verificada no ano passado ? apesar da política de juros altos imposta pela equipe do Banco Central. A confiança do consumidor permanece elevada. O alongamento dos prazos e a recuperação do crédito continuam a favorecer o consumo, diz Rands.