Economia
Empresas aéreas apresentaram bons resultados em 2004
Renata Stuani Agência Estado A análise do balanço das três maiores companhias áreas do País indica um melhor desempenho do setor em 2004, frente a 2003. A TAM e a Gol tiveram lucro líquido e a Varig teve menor prejuízo líquido por causa da renegociação de dívidas. As três empresas apresentaram aumento médio de 25% na receita líquida em 2004, motivado pelo aumento da demanda. Segundo o Departamento de Aviação Civil (DAC), o movimento de passageiros no ano passado aumentou 12%. A Vasp, que até o fim do ano era quarta maior empresa do setor, parou de operar com transporte regular em janeiro e não apresentou os resultados financeiros do ano passado. De todas, a empresa que mais cresceu no ano passado foi a Gol, com expansão de 40% na receita líquida. Varig: prejuízo foi menor A Varig encerrou o ano passado com prejuízo líquido de R$ 87,167 milhões, uma melhora significativa frente ao prejuízo de R$ 1,8 bilhão de 2003. A receita líquida cresceu 11,4%, para R$ 8,858 bilhões. O problema da Varig é sua dívida gigantesca, de R$ 5,6 bilhões, o que faz com que seu patrimônio líquido seja negativo em R$ 6,444 bilhões. Em 2004, o balanço da empresa foi afetado por ajustes contábeis resultantes do parcelamento da dívida com o INSS e com a Receita Federal, além do acerto do déficit atuarial com o fundo de pensão Aerus. Em 2003, a companhia contabilizou R$ 1,996 bilhão como outras despesas operacionais, resultado que ficou positivo em R$ 34,395 milhões no balanço do ano passado. A variação cambial também contribuiu para a melhora do balanço. Como efeito da valorização do real frente o dólar, houve redução de 4,3% no endividamento da empresa. O balanço demonstra que a Varig se mantém como a maior empresa aérea do País em termos de receita e frota (93 aviões). A companhia é vice-líder no mercado doméstico (31,9% de participação em fevereiro) e líder no mercado internacional (82%). TAM: vôos diários para NY A TAM, líder do mercado doméstico (41% de fatia em fevereiro), registrou lucro líquido de R$ 341,132 milhões, 96,3% maior do que no ano anterior. Foi o maior resultado já obtido pela companhia. A receita líquida saltou 25,8%, alcançando R$ 4,520 bilhões. No entanto, o ganho da TAM foi afetado por uma mudança contábil no balanço. A empresa alterou a modalidade de contratos de leasing financeiro dos aviões para leasing operacional. O leasing financeiro é um financiamento que permite à companhia comprar o avião no final do acordo e é contabilizado como passivo, corrigido com a variação cambial. Já o leasing operacional é um tipo de aluguel e contabilizado como despesa. Com a alteração, a empresa registrou um lucro não operacional de R$ 300,126 milhões, contra resultado de R$ 15,381 milhões no ano anterior, e lucro líquido de R$ 341 milhões. Com os bons resultados, a TAM está reforçando suas operações internacionais e deve estrear um vôo diário de São Paulo para Nova York em outubro. Este será o segundo destino da empresa nos EUA. Atualmente, ela oferece dois vôos por dia para Miami. De acordo com a companhia, a expectativa é fechar um acordo de compartilhamento de vôos com a American Airlines. Para realizar a nova rota, a empresa contará com uma aeronave A330 nova, que ela receberá da fabricante Airbus no segundo semestre. Gol: melhor desempenho A Gol, que começou a operar em 2001 e detém hoje 24% do mercado doméstico, teve o melhor desempenho financeiro entre as maiores empresas do setor em 2004. O lucro líquido, recorde, foi de R$ 317,480 milhões, 181% acima do registrado no ano anterior. A receita líquida da Gol somou R$ 1,960 bilhão, volume 40% maior em relação a 2003. ### Varig tem mais três propostas de compra, diz sindicato Janaina Lage Folhapress A Varig recebeu mais três propostas de grupos interessados em comprar a empresa. A informação foi dada pela presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziela Baggio. O conselho curador da Fundação Ruben Berta, controladora da Varig, participou de duas reuniões na última sexta. Durante a manhã, os sete curadores se reuniram com representantes do sindicato e durante a tarde com o conselho de administração da companhia. O tema dos encontros foi a análise das propostas encaminhadas à Varig. Até a última quinta-feira, a Varig analisava três propostas: a do empresário Nelson Tanure, a de German Efromovich, controlador de duas empresas de aviação, a colombiana Avianca e a regional Ocean Air e a de um grupo de investidores portugueses, liderados por Maurício Quadrado. Além destes, a Gol corre por fora na disputa pelo controle acionário da companhia. Há um racha entre os curadores e os membros do Conselho de Administração da Varig. Um grupo prefere o empresário Efromovich. Outra corrente prefere negociar com Tanure e uma terceira vê melhores condições na proposta dos investidores portugueses. Segundo Baggio, a empresa comunicou ao sindicato hoje ter aceito mais três propostas. São outros agentes, mas não temos autorização para falar e isso faz parte da cláusula de confidencialidade, disse. Questionada sobre a origem dos novos candidatos a assumir o controle da companhia aérea, Baggio sinalizou que os interessados devem ser majoritariamente brasileiros. É um grupo de investidores, mas vale lembrar que grupo estrangeiro só pode ficar com até 20%, disse. ### Prejuízo da Varig teve redução de 95% Fernando Exman Agência Estado A Varig está operacionalmente pronta para passar por qualquer processo de capitalização, ou seja, a entrada de um novo investidor na companhia. A afirmação é do diretor de controladoria e relações com investidores da companhia, Ricardo José Bullara. Na última quinta-feira, a Varig divulgou o balanço referente ao exercício de 2004. A empresa fechou o ano com prejuízo líquido consolidado de R$ 87,17 milhões, 95,25% menor que o prejuízo de R$ 1,84 bilhão em 2003. A receita líquida da companhia aérea cresceu 11,43% em 2004 na comparação com 2003, somando, ao final de dezembro passado, R$ 8,86 bilhões. A Varig se beneficiou da desvalorização do dólar, que reduziu os custos com fornecedores, manutenção e leasing, embora o aumento dos preços dos combustíveis tenha elevado os custos em R$ 306 milhões em 2004. Mas o que, segundo Bullara, qualifica a Varig para receber investimentos é o lucro operacional, que passou de R$ 335,59 milhões em 2003 para R$ 457,68 milhões no ano passado. Na avaliação dele, a companhia está bem e a capitalização depende de uma sinalização do setor público de como e quando as as questões pendentes com a Varig serão resolvidas. O governo federal e as empresas estatais têm a receber da Varig cerca de R$ 3,58 bilhões, ou 63% do endividamento total da companhia. Já a Varig acredita que o governo deve pagar cerca de R$ 3 bi para reparar prejuízos em decorrência do congelamento das tarifas nos anos 80. A ação tramita no STF. Bullara disse que a companhia deverá receber R$ 2,23 bi referentes a um crédito tributário por prejuízos fiscais, base negativa da contribuição social e diferenças temporárias.