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Economia mundial deve começar a desacelerar

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O relatório Financiamento do Desenvolvimento Global, divulgado na última semana pelo Banco Mundial, diz que o crescimento mundial, de 3,8% no ano passado, chegou ao pico e que agora a economia deve começar a crescer num ritmo mais lento. A previsão é de 3,1% para este ano. O estudo diz que os países em desenvolvimento são vulneráveis aos efeitos de uma queda mais acentuada do dólar e a uma atuação mais forte do governo norte-americano para diminuir o déficit superior a US$ 660 bilhões da conta corrente do país, além dos efeitos da valorização real de 25% do euro. O Banco Mundial afirma que vários países aumentaram suas reservas em dólar nos últimos anos, e que uma queda forte da moeda norte-americana poderia resultar em perdas para esses países. O crescimento de 3,8% foi o maior dos últimos quatro anos, com expansão recorde de 6,6% entre os países em desenvolvimento. A América Latina cresceu 5,7%, o maior nível em 24 anos. Todas as regiões cresceram mais no ano passado do que a média da última década. O relatório estima um crescimento menor para os países em desenvolvimento neste ano, de 5,7%. Endividados O relatório do Banco Mundial não traz previsões por país, mas o grupo dos países fortemente endividados, entre os quais se inclui o Brasil, deve crescer um pouco menos: 4,9%. A desaceleração maior se dá entre os países ricos, que cresceram 3,2% no ano passado e devem crescer 2,4% no próximo, de acordo com a previsão do Banco Mundial. O forte crescimento dos países em desenvolvimento se refletiu no maior fluxo financeiro desde o fim da década de 1990 para esses países. O fluxo líquido de capital chegou a US$ 301,3 bilhões no ano passado, dos quais o investimento estrangeiro direto representou US$ 165,5 bilhões. Interesse renovado O economista François Bourguignon, vice-presidente sênior de economia do desenvolvimento e economista principal do Banco Mundial, diz que a recuperação dos fluxos financeiros é um sinal de interesse renovado do mercado nos países em desenvolvimento e um reconhecimento do fortalecimento dos fundamentos econômicos em muitos países. Mas ele diz que é preciso lembrar que os desequilíbrios financeiros ainda deixam esses países vulneráveis a mudanças na taxa de câmbio ou aumento da taxa de juros nos Estados Unidos. Os países em desenvolvimento precisam preparar-se para ajustes, alguns até mesmo repentinos, afirmou. Reservas Os economistas do Banco Mundial também alertam para os riscos da acumulação das reservas, como resultado do superávit que obtiveram em função do déficit de 5,6% do PIB dos Estados Unidos. As reservas em dólar mantidas pelos países em desenvolvimento aumentaram US$ 378 bilhões em 2004, para um total recorde de US$ 1,6 trilhão. No ano passado, as reservas da China chegaram a US$ 610 bilhões, da Índia a US$125 bilhões e da Rússia a US$114 bilhões. Esses países teriam uma perda forte e repentina no caso de um movimento por parte do governo norte-americano para reduzir o déficit que tivesse como conseqüência a queda ainda mais acentuada da moeda dos Estados Unidos.

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