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Empresa de Alagoas lidera e diversifica

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PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia Após quase duas horas de conversa, Emerson Tenório, presidente da Socôco, saca da prateleira do seu escritório na filial da empresa, situada em Maceió, uma revista de moda e comportamento dessas em que inevitavelmente há uma foto da top model internacional Gisele Bündchen. Sorridente, o empresário aponta para uma página onde a célebre modelo está bebericando a água-de-coco Kero-Côco no canudinho. Sabe, a Gisele diz que é louca por água-de-coco, e, onde quer que ela vá, a gente sempreenvia o nosso produto para ela. Como cortesia, claro, conta Tenório matreiramente. O episódio ilustra um pouco as razões que fazem da Socôco a líder absoluta nas vendas de produtos derivados de coco no mercado brasileiro. Segundo a empresa paulista FNP Consultoria, atualmente a Socôco detém 60% de participação no mercado de produtos alimentícios fabricados com a polpa do coco e 85% no da água-de-coco. Vale ressaltar que, mais do que o obstáculo da concorrência, os maiores adversários da empresa são o exotismo e a sazonalidade, característicos de seus produtos. Afinal, em algumas regiões do País, como o Sul e o Sudeste, são poucas as receitas que levam leite de coco e coco ralado como ingredientes e mesmo no Nordeste, onde os produtos fazem parte da culinária tradicional, o uso é mais freqüente durante as festas juninas. Isso sem mencionar que o consumo de água-de-coco é maior durante o verão. Nas páginas a seguir, o leitor vai conhecer algumas das estratégias da Socôco para se tornar referência nacional. ### Tenório: Do coco aproveitamos até o berro Assediada, a Socôco recebe inúmeros convites para instalar fábricas novas Brasil afora e até no exterior. Embaixadores e missões governamentais visitam a empresa para sondá-la sobre a possibilidade de realização de investimentos em terras estrangeiras. A mais recente investida foi de representantes de Moçambique. Por enquanto, nosso foco está voltado para nossas duas novas unidades de negócios. Mas, a princípio, não descartamos nenhuma proposta, afirma Emerson Tenório, presidente da Socôco. Atualmente, a empresa tem três unidades industriais e um centro de tecnologia. A fábrica situada em Maceió foi o ponto de partida. Fundada em 1966, a Socôco pertencia a outro grupo até que, em 1983, foi adquirida pelos grupos alagoanos Seresta e Triunfo ambos com atuação no setor sucroalcooleiro. No início, a fábrica só produzia coco ralado e leite de coco. Quando assumimos o controle da empresa logo começamos a pesquisar e desenvolver novos produtos à base de coco, relembra Tenório. Hoje há uma gama de produtos como leite de coco em versão light, doces, flocos e água-de-coco. As outras duas fábricas da Socôco estão situadas fora do Estado. A empresa tem uma unidade de processamento na região metropolitana de Belém, no Pará, onde as polpas do coco são beneficiadas e embarcadas para Maceió. É no município de Mojú (PA) que a Socôco mantém aquela que é, até que se prove o contrário, a maior fazenda de coco do País. Novos negócios Os dois mais recentes investimentos feitos pela Socôco são a fábrica de água-de-coco situada em Petrolina (PE), chamada Amacoco e um Centro de Distribuição de Substrato Ambiental, localizado em Holambra, São Paulo. Mas é justamente dessas duas novas empresas que têm saído os produtos com mais potencial de crescimento no mercado. Há cerca de dez anos nós jogávamos fora tanto a água quanto a casca do coco. Hoje, dele nós aproveitamos até o berro, afirma, fazendo alusão a um modo de falar típico dos criadores de gado bovino, animal cujo aproveitamento é de 100%. No Centro de Difusão de Tecnologia, a Socôco tem desenvolvido produtos derivados da casca de coco. Um deles é um tipo de defensivo agrícola. Até o final do ano, a empresa vai lançar um novo produto no mercado utilizando a matéria-prima. Tudo o que posso adiantar é que não será um um produto alimentício, diz Tenório, mantendo sigilo estratégico. |PM

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