Economia
Wal-Mart quer mais produtos do Brasil
AGÊNCIA O GLOBO O consumidor que vai às compras na recém-inaugurada loja da Wal-Mart em Rogers ? pacata cidade no noroeste do estado de Arkansas, nos EUA ? pode esbarrar em um dos 60 produtos brasileiros importados pela maior rede varejista do mundo. No ano em que completa dez anos de atividade no Brasil, a empresa norte-americana pretende ampliar para US$ 180 milhões o volume comprado de fornecedores brasileiros, um incremento de 50% em relação aos US$ 120 milhões em 2004. O Brasil é hoje a quarta maior operação da Wal-Mart fora dos EUA em número de lojas, com 151 unidades. E no País, a rede já ocupa a terceira posição no ranking, com um faturamento anual de R$ 6,1 bilhões, atrás apenas do Pão de Açúcar e do Carrefour. Os artigos brasileiros, exportados por meio da própria Wal-Mart, são vendidos não apenas para o mercado americano, mas também para os demais países onde a varejista opera. Além dos EUA, a Wal-Mart mantém negócios em dez países, e a maior operação estrangeira é a do México, com 688 lojas. Entre as empresas que estão exportando via Wal-Mart estão Grendene (calçados), Teka (toalhas de banho), Tramontina (utensílios de cozinha), Sadia (carne de frango) e Milamóveis (móveis). O Café Bom Dia, por exemplo, foi escolhido recentemente o segundo melhor café dos Estados Unidos, perdendo apenas para o Starbucks, numa eleição realizada por um dos principais programas de televisão do país (20/20, da rede ABC), disse o presidente do Wal-Mart para as Américas, Craig Herkert, durante os encontros que antecederam a reunião anual de acionistas da empresa, em Bentonville, Arkansas, onde fica a sede da companhia. ### Somos humanos e também erramos Na reunião de acionistas da Rede Wal-Mart ficou clara a relevância da operação internacional para a empresa. No ano fiscal de 2004, os negócios no exterior venderam US$ 56,2 bilhões ? uma alta de 18,3% em relação ao período anterior ? enquanto as vendas totais da empresa somaram US$ 285,2 bilhões, uma expansão de 11,3% sobre 2003. Cerca de 20% da receita do Wal-Mart vêm da operação internacional, afirmou o presidente do grupo Wal-Mart, Lee Scott, durante a reunião de acionistas realizada na sexta passada. Os executivos da empresa, no entanto, fazem segredo sobre investimentos e novas aquisições. Menzer adiantou que a empresa vai abrir 500 lojas este ano, um terço fora dos EUA, com investimento de US$ 14 bilhões. Mostrou interesse na China e Índia, assim como na expansão dos negócios no Brasil, mas não comentou a possibilidade de crescer no mercado brasileiro via aquisição de novas redes, como fez com a compra da cadeia nordestina Bompreço, há um ano. Na reunião de acionistas realizada o clima também foi marcado por duras críticas. Representantes de acionistas fizeram propostas ? recusadas ? de mudanças na remuneração dos executivos e de oportunidades iguais para todos os empregados. O discurso provocou um pedido de desculpas da empresa. O presidente do Conselho de Diretores do Wal-Mart, Rob Walton (filho do fundador da empresa, Sam Walton) disse: Somos humanos nessa empresa. Nós também erramos.