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Economia

Governo faz balanço dos APLs de AL

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FÁTIMA ALMEIDA Repórter Cerca de 27 mil alagoanos, entre micro empresários, pequenos produtores rurais e trabalhadores informais, estarão ligados à rede dos arranjos produtivos locais (APLs) até dezembro de 2007. Só no ciclo de produção e beneficiamento da mandioca, que forma o maior APL do Estado, a projeção é de 20 mil postos de trabalho. Em Alagoas, dez APLs entraram em funcionamento desde o início do ano, visando a organização e sistematização de várias frentes de produção, acrescentando ao produto maiores valores agregados. Esta semana, a coordenação do Programa de Arranjos Produtivos de Alagoas (PAPL) reuniu parceiros e gestores, entre eles as prefeituras dos municípios que integram os APLs, para um balanço de resultados, e o clima era de comemoração. Alagoas tem, hoje, uma das mais bem sucedidas experiências em arranjos produtivos locais do Brasil, destacou o consultor do programa, ex-ministro Paulo Haddad. De acordo com o diretor técnico do Sebrae, Osvaldo Viegas, 61 municípios já estão ligados à rede de produção constituída pelos APLs, 14 deles no da mandioca, implantado na região do agreste alagoano. É lá, também, onde está sendo desenvolvido o APL da movelaria, nos municípios de Arapiraca e Palmeira dos Índios. No sertão, funcionam três arranjos produtivos: laticínios, ovinocaprinocultura e apicultura. No baixo São Francisco, o de piscicultura organiza as atividades pesqueiras, desde a produção, beneficiamento e comercialização do pescado. Dois arranjos produtivos fomentam as atividades de turismo no Estado: o Costa dos Corais, na região norte, e o das lagoas, na região metropolitana. Em Maceió, entraram em funcionamento o APL de tecnologia da informação e o de cultura, pioneiro do gênero no Brasil, localizado no bairro do Jaraguá. Agregando valores Baseados no princípio da cooperação entre produtores, para melhor aproveitamento do produto, identificando e explorando valores agregados, os APLs têm se mostrado um instrumento poderoso para dar mais competitividade aos pequenos empresários. A capacitação e pesquisa de mercado, visando a melhoria da produção e gerenciamento dos negócios são princípios trabalhados como vértices de sucesso dessas cadeias. Não é a toa que a coordenação dos APLs anuncia para este semestre a implantação da fábrica de fécula da mandioca no agreste alagoano (município de Arapiraca), com uma perspectiva ambiciosa: de se tornar o principal pólo nordestino de beneficiamento da mandioca. Os Arranjos Produtivos Locais são aglomerados de empresas com afinidades produtivas, localizadas em um mesmo território, que estabelecem, entre si, vínculo de articulação e cooperação, e interagem com outros atores como governo, associações empresariais e instituições de crédito, de ensino e de pesquisa. Em Alagoas eles foram instituídos pela Secretaria de Planejamento (Seplan) e Sebrae, por meio de vários parceiros e gestores. São, ao todo, 67, entre prefeituras, agentes financeiros como a Caixa Econômica, Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Banco Cidadão, e instituições de ensino e de apoio à pesquisa, como a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e a Fapeal. Na avaliação da coordenadora do programa, Solange Albuquerque, os APLs mexem com toda a economia da região, revelando-se uma das principais saídas para a inclusão social. Como funcionam O programa dos APLs é que define as estratégias de ações visando a geração de ocupação e renda, com foco nos micros e pequenos negócios. O programa tem uma coordenação estadual formada por representantes da Seplan) e do Sebrae, e cada APL tem um gestor local que articula a rede de parceiros e empreendedores. De acordo com o diretor técnico do Sebrae, Osvaldo Viegas, o trabalho para implantação do projeto em Alagoas começou em 93, quando foram identificados 27 arranjos produtivos em pontencial. Dez foram selecionados pelo governo para implantação imediata. Nas estatísticas da coordenação, 264 eventos já foram realizados, entre palestras, feiras, exposições e outras atividades visando capacitar, organizar e estruturar os empreendedores. ### Agreste pode ser pólo de fecularia no Nordeste O arranjo produtivo da mandioca é considerado o mais avançado entre os dez que foram implantados em Alagoas este ano. Muito mais pela sua amplitude do que pelo estágio de desenvolvimento. Envolve 14 municípios e tem projeção para gerar 20 mil ocupações nos próximos dois anos (75% do total programado para todos os APLs), segundo informações da coordenadora estadual do PAPL, Solange Albuquerque Viegas. Mas nem mesmo esse APL livrou-se de alguns gargalos que emperram o seu pleno funcionamento. Na avaliação do Sistema de Informação da Gestão Estratégica Orientada para Resultados (Sigeor), que acompanha as ações dos arranjos produtivos, itens como adequação das casas de farinha e a implantação de um centro tecnológico da mandioca, ainda figuram na lista das ações cujos marcos críticos não estão sendo superados nos prazos programados. A contratação e capacitação de agentes de desenvolvimento rural (ADRs), por exemplo, constam como ações com dificuldades operacionais. Mas os gestores comemoram o sucesso do arranjo, anunciando a inauguração da fábrica de fécula como a próxima atração de investimentos. O funcionamento da fecularia vai somar ainda mais valores agregados ao ciclo de produção da mandioca, que, antes, resumia-se em plantar, fazer a farinha ou vender o produto para beneficiamento em outros estados. A fécula tem mercado nas padarias, onde pode ser adicionada à massa do pão, numa proporção de 10%, reduzindo o custo do produto final. Pode, também, ser comercializada para a indústria do papel, e isso é mais mercado, mais ocupação e melhor aproveitamento da mandioca, destaca Solange. A mandioca é a principal cultura de subsistência de Alagoas, no entanto, grande parte da produção é exportada para outros estados, retornando ao mercado alagoano na forma industrializada. Na avaliação de Solange Viegas, a fecularia será um grande impulso na concretização da meta de transformar o agreste alagoano no principal pólo nordestino de beneficiamento da mandioca. Os resultados programados já estão sendo alcançados. A Seplan aponta, por exemplo, o crescimento no volume de produção da mandioca processada nas 201 unidades inseridas no APL. A meta é chegar a 2007 com um acréscimo de 30% nesse volume, aumentando, também, na mesma proporção, a quantidade de fornecedores para as unidades de processamento, e o faturamento das unidades. FA ### Alguns gargalos precisam ser superados pelo programa De uma maneira geral, os resultados dos Arranjos Produtivos Locais desenvolvidos em Alagoas despontam como uma tendência crescente que se tornou foco de instituições como o Sebrae nos últimos anos: a de formação de cadeias produtivas como sustentáculo para os micros e pequenos empreendedores. No sertão, o APL do laticínio já evolui para a implantação de uma indústria de beneficiamento do leite de cabra nos assentamentos de Pacu e Selma Bandeira, em Pão de Açucar. Gargalos como a capacitação em gestão financeira, plano de comercialização, atualização em técnica de queijos, e criação de uma central de comercialização, que encontram-se com a operacionalização em atraso, segundo o relatório do Sigeor, não parecem desanimar. Eles estão num ritmo de atividades considerável, avalia o economista Adelmo Mota. Mas não há, ainda, um medidor concreto dos impactos causados pelos APLs no crescimento econômico dessas regiões, talvez por estarem em funcionamento há menos de seis meses. Turismo Temos ações permanentes nos bares, restaurantes e pousadas, e junto aos artesãos, com capacitação para atendimento ao turista, gerenciamento de negócios, melhoria da produção e comercialização dos produtos, destaca a gestora do APL de turismo na região das lagoas, Carolina Heemann. O objetivo geral do APL é transformar a região das lagoas num destino turístico consolidado e sustentável. A meta é elevar a taxa de ocupação média anual para 40% até dezembro de 2007 e aumentar a renda dos artesãos que ficam no entorno das lagoas, em até 50% nesse mesmo prazo. Para isso, o plano de ação do APL prevê, ainda, o investimento, num programa de produção mais limpa e de alimento seguro; em capacitação dos artesãos; na implantação de um centro de informações turísticas; e na viabilização da melhoria das condições físicas dos processos de produção de alimentos como a cocada da massagueira. O APL tem um quadro de ação que prevê a promoção da gastronomia na região das lagoas. Trabalhando com o mesmo foco, o APL de turismo na Costa dos Corais também tem metas ambiciosas, como elevar para 50% a taxa de ocupação anual e aumentar a média de permanência do turista em hotéis e pousadas dos oito municípios que integram o arranjo produtivo, elevando em 12% a ocupação de mão-de-obra em hotéis, bares e restaurantes. A perspectiva é de que os APLs transformem a realidade dos micro e pequenos empresários em mais de 60 municípios alagoanos, gerando ocupação, renda e desenvolvimento local. O segredo é a melhoria do nível de conhecimento tecnológico, beneficiamento e diversificação da produção. Para a organização do APL, várias etapas são observadas, entre elas pesquisas de mercado, programas de inovação tecnológica, capacitação para gestão de qualidade, práticas atualizadas de produção, diversificação de uso e formação do preço de venda, e planejamento de negócios. |FA ### Mentor dos APLs de Alagoas se diz satisfeito Desde que foi contratado para desenvolver o programa dos Arranjos Produtivos Locais de Alagoas (APL), o economista Paulo Haddad, diretor-presidente da Phorum Consultoria e Pesquisas em Economia, sediada em Minas Gerais, se acostumou a fazer visitas de rotina ao Estado. Como não poderia deixar de ser, o especialista acabou ficando íntimo da economia alagoana e, apesar das dificuldades que dominam esse terreno no Estado, Haddad vem mantendo o entusiasmo do início. De passagem por Maceió onde participou da reunião sobre o balanço dos APLs , o consultor, que já foi ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, concedeu entrevista à Gazeta, na qual discorreu sobre os contornos que o programa ganhou em Alagoas. Gazeta - De onde surgiu a idéia de Arranjo Proutivo Local? Paulo Haddad - O conceito surgiu na Itália, nos anos 70. O país enfrentava uma situação macroeconômica muito parecida com a do Brasil atual: a previdência social estava deficitária, a inflação era alta para os padrões europeus, o governo central funcionava com baixo grau de eficiência e havia muita corrupção. Ou seja, era um quadro de horizontes sombrios. Então, os prefeitos do Centro-Nordeste da Itália de estados como Lombardia, Vêneto e Emília Romana resolveram desenvolver um experiência que na economia chamamos de ?desenvolvimento endógeno?. Lá, sem esperar muita ajuda do governo central, eles decidiram unir forças com empreendedores locais e a comunidade para desenvolver a produção de determinados produtos, como o presunto de Parma, por exemplo. Na Itália, essa experiência foi chamada de formação de ?distritos industriais?. Nessas regiões, prefeitos e empreendedores investiram na formação de mão-de-obra, na infra-estrutura e logística, em tecnologia e ampliaram o financiamento das atividades econômicas. Dessa forma, com o passar do tempo, eles conseguiram obter progressos econômicos consistentes tendo como base a produção das micro e pequenas empresas. Hoje, 51% dos produtos exportados pela Itália vem dos pequenos negócios. São produtos de alto valor agregado e alto nível de tecnologia. Aos poucos, esse modelo bem-sucedido começou a ganhar vulto pela Europa e se tornou referência em países como França, Alemanha e Suíça. E nas regiões destes países onde foram desenvolvidas ações semelhantes, elas passaram a crescer o dobro de outras regiões da Europa, sendo as maiores geradoras de empregos do continente. Porque no Brasil, adotamos o termo Arranjo Produtivo Local? Porque o termo ?distrito industrial já tinha uma outra conotação no imaginário coletivo. Aqui a idéia de distritos se resumo a um espaço físico estabelecido para atrair empresas. Na expressão não estava contida a idéia de área de mobilização social. Quais são as principais características dos APLs? A primeira delas está no aproveitamento das especializações históricas locais. Depois vêm o aspecto do território geográfico, onde as atividades econômicas sejam definidas. Por exemplo, não existe o café mineiro, o que existe é o café do cerrado mineiro. No APL é necessário que haja um componnte cultural muito forte, para que as pessoas possam se identificar. Há ainda o aspecto da cooperação. É muito importante que os projetos busquem recursos próprios existentes, contando minimamente com a ajuda do Estado. E por fim há a questão da governança local. Toda a concepção do projeto, o planejamento das ações, o balanço dos resultados têm de ser feitos pelos protagonistas locais. Em Alagoas, foram encontradas outras vocações além das dez elencadas inicialmente do programa de APLs? Sim, 17 produtos ficaram de fora, como a produção de pinha, a floricultura, além do turismo ecológico e o turismo rual. Tivemos de combinar a escassez de recursos com a prioridade do governador que era a inclusão social. Por isso nos detivemos na fecularia, laticínios e pscicultura que reúne um número grande de produtores. Mas, a idéia é expandir. Os APLs não são experiências de vitrine. Os primeiros Arranjos surgiram noBrasil há cinco anos, com o apoio do Banco Mundial. De lá para cá, 300 APLs vêm sendo desenvolvidos País a fora. Eu já encabecei o projeto no Maranhão e afirmo: a experiência mais bem-sucedida em termos de visão sistêmica, abrangente e com presença contínua do governo, é, sem dúvidas a de Alagoas. PM /// QUEM É Nome: Paulo Haddad Formação: Economista Cargo: Consultor Empresa: Phorum Consultoria e Pesquisas em Economia Currículo: Ex-ministro da Fazenda e Planejamento do governo Itamar Franco

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