Economia
Aftosa apareceria mesmo com R$ 1 bi
| PATRÍCIA ZIMMERMANN Folha Online O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, negou hoje que o aparecimento de focos de febre aftosa em Mato Grosso do Sul tenha sido conseqüência da falta de recursos do governo federal para o combate à doença. Segundo ele, mesmo com o orçamento de R$ 1 bilhão a doença poderia aparecer. O fato ocorrido no Mato Grosso do Sul e depois, por conseqüência, no Paraná se deu independentemente de haver vacinação. O gado foi vacinado. Todos os indicadores técnicos de que dispomos apontam que o gado foi vacinado. Ele admitiu, entretanto, que o orçamento maior para o ministério teria permitido que fossem feitos mais investimentos para equipar laboratórios. Precisamos muito de investimentos nos laboratórios para que o País atinja um nível tecnológico aceitável pelos países em desenvolvimento. De acordo com o ministro, há um compromisso do governo de que os recursos necessários virão rapidamente. O Ministério da Agricultura pediu à área econômica a liberação de R$ 78 milhões do orçamento deste ano. Sobre o fato de ter usado apenas R$ 55 milhões do orçamento e não todo o recurso disponível R$ 91 milhões, Rodrigues afirmou que a maior parte destes recursos é destinada aos estados e depende de trâmites burocráticos como a apresentação de um plano de ação, adimplência dos estados e aprovação pelo Ministério da Agricultura para que as transferências sejam feitas. Rodrigues participou ontem de audiência pública na Comissão de Agricultura do Senado para explicar o surgimento de aftosa em Mato Grosso do Sul. Até o momento, 11 focos já foram confirmados no Estado. Exames laboratoriais podem confirmar nos próximos dias a existência de mais dois focos em cidades mato-grossenses-do-sul e outros quatro no Paraná. Recursos O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem medida provisória que libera R$ 33 milhões para o combate à febre aftosa em Mato Grosso do Sul e Paraná caso seja confirmada também nesse Estado. Cerca de R$ 20 milhões serão utilizados para a indenização dos produtores que tiveram animais sacrificados por causa da doença. Ao todo, cerca de 6.000 cabeças de gado já tiveram o abate determinado pelo Ministério da Agricultura ou governos estaduais. O ministro explicou que a lei prevê que em caso acidente sanitário no caso, a ocorrência da aftosa o governo federal é responsável por dois terços da indenização e o estadual, pelo restante. Os demais recursos serão destinados ao apoio às famílias afetadas pela perda de rebanhos ou pela proibição da venda de produtos, principalmente na atividade leiteira o leite é jogado fora porque causa riscos à saúde, inclusive para crianças, quando não for fervido nem pasteurizado. Além disso, parte do dinheiro será utilizada em ações para a vigilância em áreas de fronteira brasileira, em países como o Paraguai. ### Ministro prevê abate de 10 mil animais O Ministério da Agricultura estima que será necessário abater cerca de 10 mil animais para acabar com os focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e no Paraná, caso as quatro suspeitas em análise sejam confirmadas. Entretanto, o governo já reservou recursos suficientes para indenizar os produtores pelo abate sanitário de aproximadamente 28 mil animais. Até agora, já foram confirmados 11 focos da doença no Mato Grosso do Sul, e são aguardadas as análises dos laboratórios sobre mais duas suspeitas no Estado e quatro no Paraná. O diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério, Jorge Caetano, explicou que os recursos liberados pela MP deverão contemplar, por exemplo, a identificação de animais de alta genética, entre reprodutores, matrizes e touros, que serão avaliados com valores maiores que a média. Segundo ele, os produtores também deverão ser indenizados pelo lucro cessante e pelas perdas, já que terão de ficar vários meses sem produção. Média O ministro Roberto Rodrigues disse, no entanto, que o valor médio das indenizações é de R$ 700 por cabeça de gado. Sendo assim, os R$ 20 milhões dariam para indenizar o sacrifício de total de 28,5 mil cabeças. Também serão calculadas indenizações para os rebanhos sacrificados de ovinos, caprinos e suínos das fazendas onde a doença for confirmada. Até agora, segundo balanço apresentado pelo ministro aos senadores da Comissão de Agricultura, foram sacrificados 919 animais. É indiscutivelmente uma coisa muito desagradável, seja politicamente, seja socialmente, emocionalmente. É uma tragédia. Matar milhares de animais é uma coisa trágica, mas o interesse nacional tem que estar acima dessa tragédia. E eu lamento profundamente que essa tragédia afete pessoas diretamente, disse o ministro, ao comentar a necessidade do abate para reduzir o tempo dos embargos internacionais aos produtos brasileiros. Pelas regras internacionais, a região afetada poderia voltar a ser considerada livre de aftosa com vacinação no prazo de seis meses. Caso o rebanho não seja abatido, esse prazo poderia chegar a 18 meses. Apesar de reconhecer a tragédia que representa o abate dos animais, o ministro ainda tenta convencer os governos estaduais a adotarem a medida para diminuir os impactos dos focos da doença para o comércio exterior brasileiro. |FO