Economia
Desempenho das exportações do País pode ser uma bolha
| Adriana Chiarini Agência Estado O bom desempenho das exportações brasileiras este ano é uma bolha, afirmou o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Benedicto Fonseca Moreira. De acordo com ele, as exportações brasileiras continuam muito concentradas em determinados produtos, empresas e também destinos. Ele lembrou que parte significativa das exportações brasileiras é de commodities (produtos com preço definido no mercado internacional, independentemente do país de onde sai). Agora os preços estão altos por causa da demanda da China, disse. Para ele, o Brasil tem condições de crescer quase como a China. Não cresce por causa de políticas errôneas. Criticando a política monetária, afirmou que parece que o governo brasileiro odeia a demanda. Portos Também disse que os portos brasileiros, por onde saem 94% das exportações, são uma calamidade pública e culpou os políticos. Porto não é lugar para político e todos os portos no Brasil são dirigidos por políticos, afirmou. Para Moreira, há barreiras internas às exportações, que considera incompatíveis com a opção que o Brasil fez corretamente pela inserção internacional, como mais de cem gravames às exportações entre impostos, taxas e contribuições. Ele defendeu a interligação física dos países da América do Sul para permitir o aumento do comércio na região em que, afirmou, a participação do Brasil é ridícula, já que representa 10% das importações dos demais países do continente. Querer fazer integração só na base da política é uma bobagem, disse, defendendo criação de infra-estrutura de transporte. Também afirmou que o Brasil está atrasado e tem pouquíssimos acordos bilaterais porque está amarrado ao Mercosul, que é um grande cadáver que o País carrega. Ele citou que a Organização Mundial do Comércio prevê o fechamento de 300 acordos bilaterais no mundo este ano. O México tem 50 acordos bilaterais, citou.