Economia
UE: Pedidos do Brasil são inaceitáveis
| VINICIUS ALBUQUERQUE Folha Online Os pedidos do Brasil para redução das tarifas agrícolas praticadas na União Européia (UE) são inaceitáveis, devido às conseqüências para os mercados produtores dos países da África, do Caribe e da região do Pacífico, que têm acesso preferencial ao mercado europeu, disse esta semana o comissário europeu para o Comércio, Peter Mandelson. Para esses países, que dependem do acesso privilegiado aos mercados dos países desenvolvidos, uma onda de redução tarifária da amplitude exigida seria um desastre, já que eliminaria em quase um terço de seu comércio agrícola com a Europa, disse Mandelson ao diário financeiro americano The Wall Street Journal. Essa é uma razão pela qual os atuais níveis de ambição de americanos e brasileiros de cortes de tarifas agrícolas são inaceitáveis, afirmou o comissário. Rodada Doha A UE havia apresentado uma oferta, na semana passada, de um corte médio de 46% nas tarifas agrícolas européias. A UE reduziria suas tarifas mais altas em 60% e eliminaria todos os subsídios à exportação de produtos agrícolas se fosse seguida por seus parceiros comerciais, no encontro de ministros da Organização Mundial do Comércio (OMC), que deve acontecer em dezembro, em Hong Kong, para tentar concluir a Rodada Doha de negociações. Para Mandelson, o excesso de ambição no setor agrícola pode bloquear o conjunto da negociação da rodada. Brasil Segundo ele, a oferta européia é um movimento arriscado e audaz. Nossos sócios na negociação se equivocariam se ignorassem isso, concluiu. Amanhã, EUA, Brasil, Austrália, Índia e UE devem se reunir em Londres para voltar a debater. Em setembro, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse após uma reunião em Paris que ainda há um longo caminho a percorrer para reativar as negociações na OMC sobre a Rodada Doha. Discutimos a fundo a questão agrícola e outras e tentamos ver onde estão nossas divergências. Falta um longo caminho a percorrer, mas essa reunião foi útil para compreender onde estão os problemas, disse o ministro.