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Lula: Em economia não há mágica

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| FOLHA ONLINE E GLOBO ONLINE O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu ontem as críticas ao governo federal devido ao encolhimento do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre e afirmou que não é possível comparar a economia brasileira com a de outros países. Para uma platéia de cerca de 300 investidores estrangeiros, reunida em São Paulo, Lula afirmou que o Brasil deve dar passos do tamanho das pernas. Em economia não existe mágica, existe seriedade, transparência e passos do tamanho das nossas pernas. Não adianta ficar olhando para China, Estados Unidos. Não adianta ficar olhando para alguém que cresce mais ou menos do que nós. Temos que olhar para nossa indústria, para nossas possibilidades. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou anteontem que o PIB brasileiro encolheu 1,2% no terceiro trimestre em relação ao segundo. No ano, a expectativa do mercado é de que o crescimento seja de 2,5%. Já a média de crescimento dos países emergentes em 2005, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), será de 6,4%, sendo que, ao contrário do Brasil, a maioria dessas nações está elevando suas perspectivas de expansão econômica. Segundo Lula, no entanto, o PIB negativo do terceiro trimestre não deve ser motivo de preocupação. Os indicadores demonstram que a economia vai crescer de maneira sólida em 2006. Durante o discurso, Lula citou uma série de investimentos em infra-estrutura na América do Sul, como a rodovia Inter-Oceânica, gasodutos ligando Brasil, Argentina e Bolívia e a construção de uma ponte sobre o Rio Paraná. Ele reservou a parte final de seu discurso para falar sobre as negociações da Organização Mundial de Comércio (OMC) no âmbito da rodada Doha, que acontecem entre os próximos dias 13 e 18. O presidente afirmou que conversou ontem com o primeiro-ministro britânico Tony Blair e pediu que seja convocada uma reunião do G8 (grupo dos sete mais ricos e a Rússia) com cinco países emergentes para discutir os termos da rodada Doha. A hora que juntarmos os presidentes, vamos encontrar uma negociação que os nossos negociadores até agora não encontraram, afirmou Lula. O Brasil e outros países emergentes até agora não conseguiram chegar a um acordo sobre a redução dos subsídios agrícolas dos países ricos. O Itamaraty decidiu se aproximar dos Estados Unidos para pressionar a União Européia a apresentar uma proposta melhor para a agricultura. Os europeus, no entanto, acusam o Brasil de fazer reivindicações irrealistas e dizem que a posição do Itamaraty prejudica o avanço das negociações da rodada. Palocci O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, admitiu, pela primeira vez, que o crescimento do PIB de 2005 não deverá atingir os 3,4% projetados pelo governo há alguns meses. Mas Palocci afirmou que o Brasil não vai mudar as linhas gerais da política monetária por causa da queda de 1,2% no Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre. Segundo o ministro, a economia brasileira segue na rota do crescimento sustentado. Nós não vamos alterar a política monetária, porque ela já mostrou duas vezes durante os últimos três anos que é muito eficiente, disse Palocci.

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