Canal do Sertão
Governo de Alagoas admite dificuldades para concluir obras
Para a conclusão do último trecho do Canal do Sertão, a Secretaria Estadual de Infraestrutura prevê gastar mais R$ 2,5 bilhões
Em recente entrevista publicada nos sites do estado, o secretário estadual de Infraestrutura, Maurício Quintela, admitiu que o governo de Alagoas terá dificuldade para continuar as obras do canal por conta da crise econômica do governo federal. A obra é tocada com recursos federais. Os repasses são feitos pelo Ministério do Desenvolvimento Regional. Até o ano passado, quando a família Calheiros comandava o Senado da República e o governo de Alagoas, estava com força política suficiente para manter a obra andando. A paralisação não era sequer cogitada. Agora, as férias coletivas passam a ser vista como demonstração a falta de prestígio dos Calheiros junto ao governo federal. A primeira e mais importante obra hídrica do País é a da transposição do Rio São Francisco, que promete amenizar o drama da seca no Nordeste por meio de dois canais que levam água do Rio São Francisco para o semiárido de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. O Canal do Sertão de Alagoas é a segunda maior obra hídrica do Brasil e começou a ser idealizado no então governo de Geraldo Bulhões, em 1990. Inicialmente, se esperava gastar algo em torno de R$ 600 milhões na construção de 250 quilômetros de canal entre Delmiro Gouveia até Arapiraca. De lá para cá, o canal já engoliu cerca de R$ 2,5 bilhões e andou 113 quilômetros. Para a conclusão, a Secretaria Estadual de Infraestrutura prevê gastar mais R$ 2,5 bilhões. Hoje, o governo de Alagoas retira água no braço do rio que fica na região do Moxotó, no município de Delmiro Gouveia (distante 294 quilômetros da Maceió) e leva até o município de Pão de Açúcar, distante 236 quilômetros da capital. Neste momento do início de estiagem no Sertão, os projetos de irrigação e de usos múltiplos do canal ainda não saíram do papel.
ELEFANTE BRANCO
Uma das obras mais caras do País, que estava em andamento, hoje praticamente não serve a nenhum projeto de desenvolvimento no semiárido, reclamam parlamentares e prefeitos da região. A obra não chegou nem na metade dos 250 quilômetros, não tem data definida para terminar e desde julho espera repasse de R$ 60 milhões cobrados pela construtora Odebrecht, responsável pelo trecho quatro.
Depois de concluído, o canal promete ser a redenção do desenvolvimento do Sertão e Agreste. Reduzirá os prejuízos causados aos cofres públicos pela indústria da seca. Mas se transformou em um símbolo da ineficiência da política estadual na gestão dos recursos hídricos.
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Mais de mil pedidos de outorgas (permissão) para o uso da água do rio São Francisco, que correm pelo canal, teriam sido encaminhados à Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh). Nenhum deles recebeu autorização. A obra do Canal do Sertão é vista como um elefante branco, devido ao subaproveitamento.