Economia
BC mant�m juros em 26,5% ao ano, sem vi�s
Brasília - Mesmo em meio a fortes pressões de empresários, da mídia e até mesmo de membros do governo, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) foi conservador e decidiu por unanimidade manter em 26,5% a taxa básica de juros da economia brasileira -a Selic. Essa é a terceira reunião consecutiva em que o BC não mexe nos juros. A manutenção dos juros demonstra a preocupação do BC com a inflação que, apesar dos índices recentes abaixo das expectativas, continua sendo uma ?ameaça, uma febre?, conforme avaliação do presidente da instituição, Henrique Meirelles, feita na segunda-feira. O Copom, após a reunião de ontem, reafirmou a prudência em relação aos índices de preços. ?Há sinais de que a política monetária começa a obter resultados no combate à inflação. O Copom avalia que a consolidação da queda da inflação depende da manutenção desse esforço. Diante disso, o Copom decidiu por unanimidade manter a taxa em 26,5% ao ano, sem viés?, informou o Copom por meio da assessoria de imprensa do BC. A decisão do Copom serviu ainda para indicar que o BC não aceitou a pressão de vários setores do governo para a redução da Selic. Nos últimos dias, o vice-presidente da República, José Alencar, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT - SP), e o ministro Ciro Gomes (Integração Nacional) criticaram enfaticamente a taxa elevada da Selic. No entanto, se o BC reduzisse os juros embasado nos baixos índices de inflação neste mês e inclusive deflação - de acordo com o IGP-M da Fundação Getúlio Vargas- o mercado poderia entender que a instituição estaria suscetível a pressões políticas e poderia ter sua credibilidade atingida. Isso porque a manutenção dos juros é, de acordo com analistas, importante para o BC atingir a meta de inflação de 5,5% para 2004.