Economia
Juros ao consumidor chegam a 324% ao ano
São Paulo - O brasileiro paga uma das taxas de juros mais altas do mundo, muito superior à taxa estipulada pelo Conselho de Política Monetária (Copom), a Selic. Dependendo do crédito escolhido, o consumidor pode pagar até 11 vezes mais do que a taxa básica do País. É o que mostra pesquisa mensal da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), que monitora a evolução dos juros no Brasil. Segundo o levantamento, os juros cobrados sobre empréstimos pessoais em financeiras custaram em média 12,81% em abril, atingindo 324,79% no acumulado de 12 meses. Até agora, a média mensal de 2003 nessas instituições é de 302,35%. As financeiras proporcionam um acesso facilitado ao crédito e chegam a emprestar um valor equivalente a 100% da renda da pessoa física. Esses empréstimos são a modalidade mais cara de crédito. Em algumas financeiras, os juros podem atingir 22% ao mês, o equivalente a 987,22% ao ano, segundo o vice-presidente da Anefac, Miguel de Oliveira. De acordo com Oliveira há financeiras que aprovam empréstimos sem exigir comprovação de renda ?Mas como elas têm os maiores juros, recomendamos que o consumidor esgote todas as alternativas antes de recorrer a esse tipo de crédito.? Ele alerta ainda que há muitas armadilhas nas promessas de ?dinheiro fácil?, algumas feitas por organizações que se dizem financeiras, mas nem são legalmente constituídas ou reconhecidas pelo Banco Central. Em segundo lugar aparecem os juros cobrados pelos cartões de crédito, que somam uma média de 232% ao ano. Logo após, o cheque especial, que atinge 209,03% e, depois, os juros do comércio, em média de 116,61% em 12 meses. Os juros mais ?baratos? são cobrados pelos bancos, 65,96% para financiamento de compra de bens e 92,96% para empréstimos pessoais.