Balança Comercial
Exportações alagoanas caem pela metade no acumulado do ano
Com a queda nas exportações, balança comercial alagoana tem deficit de RS 1,126 bilhão
As exportações alagoanas recuaram 50,34% de janeiro a setembro deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo levantamento divulgado pela Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia. De acordo com os dados, o envio de produtos alagoanos para o exterior renderam US$ 201,24 milhões - o equivalente a R$ 827,80 milhões no câmbio atual.
Enquanto isso, as importações feitas pelo estado registraram crescimento de 6,7% no período, atingindo US$ 474,95 milhões - cerca de R$ 1,954 bilhão. Com o resultado, o saldo da balança comercial alagoana acumula um deficit de US$ 273,71 milhões (RS 1,126 bilhão) nos nove primeiros meses deste ano. Este ano, a queda nas exportações alagoanos foi puxada pela retração na exportação policloreto de vinila (PVC) feita pela Braskem, que registraram uma queda de 48,4% no acumulado do ano, na comparação com o mesmo período de 2018. De acordo com os dados do governo federal, de janeiro a setembro deste ano as exportações do produto renderam R$ US$ 4,85 milhões. Em números absolutos, a queda nas exportações significaram US$ 4,45 milhões a menos.
Como a Gazeta de Alagoas mostrou, a Braskem paralisou as atividades em Alagoas em maio deste ano, após o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) emitir laudo responsabilizando a Braskem pelo afundamento dos bairros do Pinheiro, Bebedouro e Mutange. Em nota divulgada na época, a petroquímica informou que estava avaliando os impactos na indústria de PVC em Marechal Deodoro e nas indústrias do Polo de Camaçari (BA), "uma vez que estão integradas na cadeia produtiva". Em visita a Maceió após a divulgação do laudo da CPRM, o presidente da Braskem, Fernando Musa, informou que as três unidades industriais que formam a indústria em Alagoas - mineradora que extrai sal-gema da jazida de Maceió, considerada como uma das maiores na América Latina; a unidade de produção de dicloretano e soda-cáustica; e a indústria de PVC que fornece matéria-prima para indústrias da cadeia de plásticos no País - estão paradas ou paralisando as atividades. Na época, a Braskem ventilou a possibilidade da saída da indústria de Alagoas. Mas a queda nas exportações alagoanas não atingiram apenas a produção de PVC. Segundo o levantamento do governo federal, o envio de açúcar de cana para o exterior registraram uma retração de 14,6% este ano, na comparação com 2018. No total, as exportações do produto - que tem uma participação de 84% no mercado internacional - renderam a Alagoas US$ 168,86 milhões. Em números absolutos, a queda nos negócios com outros países representou uma perda de US$ 28,82 milhões este ano. No quesito importações, o item "demais produtos manufaturados" - que tem uma participação de 25% de todos os produtos importados por Alagoas - registrou um aumento de 8,5% este ano, na comparação com o ano passado, movimentando US$ 117,34 milhões. Em números absolutos, o aumento representa um incremento de US$ 9,15 milhões. Em segundo lugar do ranking aparecem os hidrocarbonetos e seus derivados halogenados, com um crescimento de 150,9% em relação ao ano passado, o que representou uma movimentação de US$ 39,82 milhões. Em números absolutos, o aumento nas importações significou US$ 23,95 milhões a mais, em relação ao ano passado. Em todo o País, segundo dados do ministério, as exportações chegaram a US$ 167,379 bilhões no acumulado de janeiro a setembro, com queda de 6%, considerando a média diária na comparação com igual período do ano passado. As importações somaram US$ 133,589 bilhões, com queda de 1,8%, pela média diária, sobre igual período de 2018. Com isso, o saldo comercial acumulou superávit de US$ 33,790 bilhões, 19,5% inferior ao registrado de janeiro a setembro de 2018.