Exclusivo
Canteiro de obras vira cemitério de máquinas e caminhões
Mais de 200 operários do Canal do Sertão podem ser demitidos esta semana, anuncia Odebrecht
Senador Rui Palmeira – Não tem ninguém trabalhando neste momento na segunda obra hídrica mais cara do País e a mais importante de Alagoas. O clima nos 32 quilômetros do trecho quatro do Canal do Sertão é de deserto. Mais de 100 caminhões, tratores e máquinas estão parados desde o dia 20 de setembro ao longo do canal e no canteiro administrativo da obra, neste município. A construtora Odebrecht, quando concedeu férias coletivas aos trabalhadores, previa que a paralisação seria de apenas 15 dias.
Um mês depois a construtora permanece com o pessoal de férias. Condiciona a retomada da construção do trecho ao pagamento dos outros 50% do repasse de R$ 16 milhões, referentes a dívida de R$ 32 milhões vencida em março passado, das obras já executadas.
Se não receber o débito até terça- feira (29), a construtora admite a “desmobilização” total do canteiro de obras. Em nota enviada à Gazeta, a empresa não descarta a demissão dos 210 operários que estão em férias coletivas.
NOTA
“A OECI, responsável pela execução do Trecho 4 das obras do Canal do Sertão Alagoano, confirma que 100% do efetivo atual, de cerca de 210 trabalhadores, segue em férias coletivas até a próxima segunda-feira, dia 28/10. Infelizmente, caso até a referida data não seja normalizado o fluxo de recursos necessários à continuidade das obras, a desmobilização do efetivo poderá ser inevitável. A empresa ressalta que vem empenhando os seus melhores esforços no sentido da manutenção da obra e o emprego de seus funcionários e acredita que as entidades envolvidas emanam similar senso de responsabilidade para com o povo alagoano”, diz a nota, enviada ao jornal pela assessoria de Comunicação da Construtora, que mantém escritório central em São Paulo.
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O engenheiro responsável pela construção do trecho quatro, Pedro Leão, não se manifestou a respeito da decisão da direção da construtora. Mas confirmou que também recebeu cópia da informação enviada a Gazeta. De acordo com assessores da Odebrecht, a primeira parte da dívida (R$ 16 milhões) foi pago na noite do dia 20 de setembro. O combinado com órgãos federais e estaduais, dentre eles o Ministério da Integração Regional e a Secretaria de estado de Infraestrutura, era o pagamento integral da dívida (R$ 32 milhões) referente a 85% do que está executado no trecho contratado. Como isto não ocorreu, a construtora decidiu colocar os mais de 210 operários, técnicos e engenheiros em férias coletivas. Na última quarta-feira, a nossa equipe de reportagem percorreu os 32 quilômetros em construção do canal. Até o engenheiro Pedro Leão desapareceu dos canteiros de obras e administrativo. A nossa equipe encontrou apenas vigilantes cuidando do patrimônio. Eles não confirmam a retomadas da obra a partir desta segunda-feira, também se preparam para o pior: a demissões de todos os contratados.
“Parou tudo. Nós não sabemos quando a obra deverá ser retomada. A previsão é para esta terça-feira (29). Mas não tem nada certo ainda”, disse um dos vigilantes, que pediu para não ser identificado. No escritório da empresa, em São Paulo, ninguém garante que os 210 trabalhadores em férias coletivas serão mantidos. Fontes da direção da construtora disseram à Gazeta que tudo dependerá do pagamento do restante da dívida das obras já executadas e definição de novos pagamentos.