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Paralisação foi maneira de tentar receber pagamento

Odebrecht diz que não pretendia paralisar obra como faz até o momento, a pretexto de conceder férias coletivas a trabalhadores

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Senador Rui Palmeira – Em nota divulgada há um mês, a construtora Odebrecht confirmava o recebimento de parte da dívida no valor R$ 16 milhões, referentes ao pagamento de 50% as obras já executadas no trecho quatro. Demonstrou que não pretendia paralisar a construção como faz até o momento, a pretexto de conceder férias coletivas para 210 trabalhadores.

A medida foi a forma que a empreiteira encontrou para forçar o pagamento de mais 50% dos atrasados contratados e executados. Tanto que através da assessoria de comunicação informou que “em relação às matérias veiculadas pela Gazeta de Alagoas sobre as obras do Canal do Sertão neste sábado (dia 21/09), cumpre à Odebrecht Engenharia & Construção esclarecer que na noite da última sexta-feira (20/09) recebeu a confirmação de um repasse no valor de R$ 16 milhões do Ministério do Desenvolvimento Regional para a Secretaria Estadual de Infraestrutura de Alagoas visando o custeio das obras. O valor corresponde a pouco mais da metade do total da dívida relativa a serviços já executados”. A empresa se comprometia, naquele momento, de continuar com a construção do canal e afirmava que “apesar dos desembolsos não acompanharem o ritmo das obras, estas seguem sem ser paralisadas integralmente, porém com as adequações de ritmo e mão de obra compatível com os recursos existentes”. A empresa ressaltava também que “a equipe destacada segue comprometida em concluir o quanto antes o projeto em benefício da população alagoana, especialmente do sertanejo que tanto espera a chegada da água para sua subsistência”. Em seguida a divulgação desta primeira nota, a empresa concedeu férias coletivas aos empregados, por 15 dias. Um mês depois a empresa promete retomar os trabalhos no dia 29/10 se receber os atrasados e pactuar o pagamento de mais R$ 132 milhões para a continuar a construir o trecho quarto. Fontes da empresa garantem que 85% do trecho estão prontos.

PREFEITOS

Para desespero dos prefeitos da região, a obra permanece parada e gera aumento do desemprego numa das áreas mais castigadas pela longa estiagem. Até o final do ano passado, a construção do trecho que hoje está parado empregava mais de mil operários. Neste momento, tem 210 empregados que podem ser demitidos ainda nesta semana. Todos que foram demitidos receberam as indenizações trabalhistas como prevê a legislação, garantiu um dos diretores administrativos da Odebrecht. A maioria dos desempregados mora nos municípios vizinhos da obra e não tem como retomar as lavouras porque começou o período da estiagem: a terra está muita seca, os pastos desapareceram e os animais perdem peso. Mas, o período de plantio começa a partir de março de 2020.

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