Descaso
Seca verde destrói cultivo de milho e feijão na região
Agricultores dizem que Sertão terá período de seca com fome e desemprego
Como faltou sementes e assistência técnica do governo para orientar sobretudo o produtor da agricultura familiar, muitos plantaram na hora errada e de forma inadequada. A maioria não vai colher nada. A região semiárida enfrenta o fenômeno da seca verde, que destrói as áreas com milho, feijão e outras culturas, explicou o agricultor Robério da Silva Santos, que tem uma pequena propriedade num assentamento que fica entre os municípios de Batalha e Jacaré dos Homens.
“Na maioria das cidades do Sertão teremos um período de seca com fome e desemprego. Quem plantou fora do período não vai colher nada. As sementes germinaram, cresceram 30 centímetros e estão secando no campo porque a temperatura está aumentando, a terra também secou e não tem mais pastos. Cadê a assistência técnica do governo?”, cobrou, irritado, Robério Santos.
CANAL
A situação está favorável apenas no trecho de 100 quilômetros nas margens do Canal do Sertão. Cansados de esperar pelos projetos das Secretarias de Recursos Hídricos e Meio Ambiente, da Agricultura e da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) os pequenos produtores rurais improvisam bombas de sucção e retiram a água do rio clandestinamente. Os resultados no cultivo de feijão, milho, melancia, batata tem sido surpreendente e animadores neste período de seca. Sem assistência técnica, o agricultor Antônio Irineu da Silva disse que boa parte de sua produção está vendida para comerciantes das feiras dos municípios de Delmiro Gouveia, Santana do Ipanema e de outras cidades próximas. “A água está aqui na porta de casa, não aparecem ninguém para nos orientar. Mas, a gente está plantando e vendo bons resultados”, disse, animado, Antônio, ao cobrar apoio dos técnicos da Emater. A propriedade dele fica na zona rural do município de senador Rui Palmeira.
Os técnicos da Emater confirmaram que há quase um ano não assistem com regularidade os pequenos produtores, sobretudo no Sertão. AF
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