Abandono
Economia de 30 municípios sente impacto negativo
Demissão dos trabalhadores que restam no canal pode agravar crise social provocada pelo desemprego na região do Sertão
A obra do Canal do Sertão é financiada pelo governo federal, que faz os repasses ao governo de Alagoas, e a Secretaria de estado de Infraestrutura, depois de fiscalizar o andamento do projeto, faz o pagamento. A Odebrecht pretendia continuar tocando a obra. Mas, ao receber parte dos atrasados, decidiu parar temporariamente a construção. Hoje, ninguém na empresa define quando a obra será retomada.
Ao longo do canal tem mais de 100 máquinas, tratores e caminhões parados, como mostrou com exclusividade a Gazeta de Alagoas. A economia de pelo menos 30 cidades do Sertão sente os efeitos dramáticos das demissões e os prefeitos temem o agravamento da crise social do desemprego, se for confirmada a partir desta segunda- feira, 4, a paralisação definitiva da construção do trecho quatro do canal.
Até o ano passado, a paralisação da construção do Canal do Sertão era uma hipótese descartada pela maioria dos políticos e pelo próprio governador Renan Filho (MDB). Mas ao assumir a pasta da Infraestrutura, o ex-ministro dos Transportes, Maurício Quintela, percebeu que os governos federal e estadual teriam dificuldades para continuar tocando o projeto por causa da crise econômica do País e a consequente queda na arrecadação tributária.
Ao receber parte do débito cobrado pela Odebrecht, o secretário Quintela agradeceu ao presidente da República, Jair Bolsonaro, (PSL/RJ) por meio vídeo, divulgado em seu perfil nas redes sociais. Na ocasião, solicitou inclusive a liberação de mais recursos para manter a continuação da obra. “Precisamos ainda da liberação de R$ 132 milhões para concluir o trecho quatro”. Lembrou inclusive que parte do pagamento estaria garantido. “Dos R$ 132 milhões, cerca R$ 76 milhões estão empenhados na lei orçamentária de 2019”, disse Quintela.
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Apesar do esforço do secretário de Infraestrutura, que usou inclusive o prestígio político que tem em Brasília, até o momento a empresa não acusou nenhum recebimento dos atrasados e não tem definição de quando receberá o pagamento dos serviços executados. Alguns executivos da Odebrecht também passaram as últimas semanas discutindo o pagamento dos atrasados com autoridades federais e do governo de Alagoas. Também não conseguiram muita coisa. “Só fizeram promessa vagas”, disse um dos diretores da construtora, sem revelar seus contatos.
A obra permanece paralisada. A Odebrecht que deu férias coletivas aos 210 operários até o último dia 28 e prometia retomar a construção no dia seguinte, estendeu as férias coletivas dos empregados. Agora, a direção da empresa afirma que “a obra está na eminência de paralisação definitiva a partir desta semana”. A assessoria de comunicação da construtora informou a Gazeta que a empresa encerrou a semana discutindo a paralisação da obra.