Indicadores
Alagoas tem 570 mil pessoas na extrema pobreza, aponta IBGE
Estado é o segundo do País com mais gente nesta situação, atrás apenas do estado do Maranhão
Menos de oito reais por dia. É com este valor que sobrevivem cerca de 570 mil alagoanos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o critério estabelecido pelo Banco Mundial, estas pessoas vivem em pobreza extrema. Alagoas é o segundo Estado do País com mais gente nesta situação, atrás apenas do Maranhão. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 6, pelo IBGE e estão na Síntese de Indicadores Sociais.
A pesquisa é uma análise das condições de vida da população brasileira. O número de extremamente pobres representa 17,2% dos 3,314 milhões de habitantes do Estado. Nos últimos quatro anos a extrema pobreza avançou gradativamente em Alagoas, saindo de 12,5% da população em 2015, para atingir 17,2% em 2018, uma escalada de 4,7 pontos percentuais. Além destes, 29,6% do povo de Alagoas, ou seja, quase um terço, vive com R$ 13 diários. Estes são considerados pobres, vivem na linha da pobreza.
Os números da pobreza extrema em Alagoas são quase o triplo do percentual nacional, que chega a 6,5% do povo brasileiro, 13,5 milhões de pessoas em números absolutos. Na região Nordeste o percentual de pobreza extrema é de 13,6%. A região com menos pessoas em pobreza extrema é a Sul. Por lá, 2,1% da população está nessa situação. É no Sul do País também que está o Estado com menos pessoas nessa condição, o Rio Grande do Sul, onde apenas 1,9% da população vive em situação de pobreza extrema.
TRABALHO
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Outra informação que o IBGE traz na Síntese de Indicadores Sociais diz respeito às questões de trabalho no Brasil. Os números mostram que 2,639 milhões de alagoanos estão em idade de trabalhar, porém apenas 1.176 milhão está na força de trabalho. Ou seja, 1,463 milhão de alagoanos está em idade apta para o trabalho, mas fora da força de trabalho. E engana-se quem pensa que quem está dentro da força de trabalho está em condições totalmente favoráveis. Empregos formais são a ocupação de apenas 505 mil alagoanos. Ou seja, Alagoas tem mais cidadãos em pobreza extrema do que em empregos formais.
É mais gente passando fome do que trabalhando. Além destes, outros 529 mil alagoanos estão sendo subutilizados. E quando o assunto é rendimento médio dos trabalhadores, ele continua longe da média do País. Enquanto o rendimento médio do trabalhador brasileiro é de R$ 2.163, em Alagoas o valor é de R$ 1.507, portanto R$ 656 a menos. Para quem trabalha sem carteira de trabalho a situação é ainda pior: o rendimento médio do trabalhador alagoano nessa situação é de R$ 959. A média do país para quem está nessa situação é de R$ 1.237.
O último cenário analisado na Síntese dos Indicadores Sociais diz respeito à Educação. E nele Alagoas também não aparecem bem. O Estado é vice-campeão no índice de adolescentes de 15 a 17 anos foram das salas de aula. Nesse quesito Alagoas perde apenas para o Acre. Por aqui são 16,8% dos adolescente nessa idade foram da sala de aula. No Acre são 17,4. No Brasil esse número é de apenas 11,8%.
PAÍS
Em todo o País, a ampliação da ocupação e o crescimento do rendimento no trabalho ajudaram a tirar cerca de 1 milhão de brasileiros da pobreza em 2018. Porém, o país ainda tinha 13,5 milhões de pessoas em pobreza extrema, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O número se manteve estável na comparação com 2017, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE divulgada nesta quarta (6). Em 2018, 6,5% da população se encontrava nessa situação, 0,1 ponto percentual a mais que no ano anterior.
Pela linha definida pelo Banco Mundial -que é a métrica adotada pelo IBGE-, são considerados em pobreza extrema aqueles que vivem com até US$ 1,90 por dia (o equivalente a R$ 145 por mês). Os brasileiros na pobreza extrema aumentaram 2 pontos percentuais entre 2014 e 2018, resultando, no ano passado, em 13,5 milhões de pessoas. “Esse contingente é superior à população total de países como Bolívia, Bélgica, Cuba, Grécia e Portugal”, analisou o IBGE
Por outro lado, são considerados pobres aqueles que tem o PPC menor que US$ 5,50 (R$ 420 por mês) por dia. E esse número caiu de 0,7% no ano passado, atingindo agora 52,5 milhões de brasileiros. “Esse grupo necessita de cuidados maiores que seriam, por exemplo, políticas públicas de transferência de renda e de dinamização do mercado de trabalho”, disse o gerente do estudo do IBGE, André Simões.
*Sob supervisão da editoria de Economia