Economia
Juros do cheque especial atingem 178,5% ao ano e quebram recorde
Brasília - A taxa média dos juros do cheque especial atingiu 178,5% ao ano em abril, a maior a maior desde abril de 1999, período em que a economia brasileira ainda sofria os reflexos da mudança no regime cambial e a taxa básica da economia beirava os 40% ao ano - valor bem acima dos 26,5% atuais. Em março, essa taxa era de 177,9% ao ano. Segundo números divulgados pelo Banco Central (BC), o crédito pessoal também apresentou elevação, passando de 100,6% para 102% ao ano, no mesmo período. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, disse que ainda existe uma tendência para o aumento dos juros cobrados no cheque especial. ?Ainda há uma tendência de elevação porque a procura é grande?, afirmou. Spread A taxa média de juros cobrados pelos bancos atingiu em abril 58,4% ao ano, o que representa um aumento de 0,4 ponto percentual em relação a março. Segundo o BC, o juro médio cobrado da pessoa física passou de 87,3% em março para 86,3% em abril e para empresas, os juros saltaram de 31,1% para 39% ao ano, em abril. O spread bancário (diferença do que os banco pagam para captar recursos e o que eles cobram de seus clientes) atingiu 34,1% ano em abril, a maior desde o ano de 2000, quando foi iniciada a série histórica. Em março, esse número correspondia a 33,2%. Segundo Lopes, a elevação da taxa reflete o lucro das instituições financeiras, o pagamento de impostos e a inadimplência.O maior aumento do spread bancário está entre as pessoas físicas, cujo percentual passou de 59,9% para 61,1% ao ano, em abril. Já para as empresas, esse número saltou de 14,9% para 15,3% ao ano, no mesmo período. Segundo o Banco Central, a taxa de inadimplência ficou praticamente estável em abril, atingindo 8,8% ante 8,7% registrado em março. No caso da pessoa física, a taxa se manteve em 15,7%, enquanto das empresas ficou em 4,6% em abril.