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Afundamento

ESVAZIAMENTO DE BAIRROS CAUSA PREJUÍZOS A COMERCIANTES

Empresários do Pinheiro, Mutange e Bebedouro se queixam de perdas financeiras nos negócios

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O empresário Gustavo Martins diz que é “um tormento” manter o supermercado aberto
O empresário Gustavo Martins diz que é “um tormento” manter o supermercado aberto -

As áreas que eram as mais movimentadas do bairro do Pinheiro no ano passado, hoje estão desertas. As rachaduras dos conjuntos habitacionais populares aumentam a cada dia. O perigo de desabamentos é evidente e eminente. A rua mais movimentada do bairro – a Alameda Rio Branco – foi interditada no trecho de maior concentração comercial. Os moradores e comerciantes mais uma vez foram pegos de surpresas. Afirmaram que não sabem o grau de gravidade do deslocamento de terra no subterrâneo e reclamaram da falta de informações oficiais. O empresário Gustavo Martins, proprietário do maior supermercado do bairro, que completou 30 anos, foi um dos surpreendidos com a interdição da alameda que passa em frente ao estabelecimento dele. Ao falar dos prejuízos, disse que tem sido “um tormento” manter o supermercado aberto. Já reduziu drasticamente o quadro de funcionários, substituiu máquinas elétricas para reduzir custos e não consegue mais fazer previsão de futuro. Ele não é contra a interdição da alameda por conta dos prédios que ameaçam desabar no Jardim Acácia. “A interdição é necessária, por causa dos riscos eminentes dos prédios próximos. O mais importante é preservar a vida”, defende. O empresário criticou, porém, alguns procedimentos das autoridades. “Em nenhum momento os comerciantes foram procurados para nada, nunca existiu para nós [moradores e comerciantes] apresentação de laudos técnicos, nem a atenção com os empreendedores do bairro. Hoje não sabemos o que está acontecendo, não fomos informados e nem nos orientaram sobre as precauções que precisamos adotar. Tudo é muito de surpresa e no improviso”, lamentou o empresário. Até o sapateiro Jardel Alves disse que o movimento da banca caiu mais de 70% com a interdição da principal via do bairro e por causa das especulações de que o bairro afundará a qualquer momento. “A maioria das casas está abandonada. Nos prédios não tem mais ninguém e as pessoas que passavam por aqui para fugir do engarramento da Avenida Fernandes Lima mudaram de rota. Passo os dias sem ter o que fazer e não sei por quanto tempo vou permanecer no meu ponto ” . Outro morador, o comerciante Francisco Serafim dos Anjos, residente na rua Basileu Meira Barbosa, revelou que os proprietários de imóveis dizem que não conseguem vendê-los para comprar outro porque ninguém quer morar num bairro que, provavelmente, afundará. “Vivemos dias de terror. A gente não sabe de nada. Alguns momentos as autoridades nos tranquilizam, em outros dizem que parte do bairro será evacuado”. Outra moradora do Pinheiro que anda nervosa, chora o dia inteiro e cobra explicações sobre o futuro do imóvel dela é a jornalista Sílvia Spencer. A casa da jornalista, apesar de ficar na área verde do mapa de feição que aponta as áreas de risco, teve que ser desocupada por conta do aumento das rachaduras. Há quatro meses ela recebe R$ 1 mil de aluguel social e com esse dinheiro alugou outro imóvel distante do Pinheiro e paga 1,2 mil de aluguel. “No meu apartamento pagava R$ 552 de prestação à Caixa Econômica Federal. Agora, enfrento a burocracia, preciso de documentos para provar que não tenho mais condições de morar no meu imóvel e não sei se conseguirei comprar outro apartamento num lugar seguro e perto de tudo”, lamentou a jornalista. Nas paredes dos conjuntos habitacionais frases refletem a revolta dos moradores. “Aqui, 336 famílias prejudicadas do Conjunto Divaldo Suruagy”. A frase está no muro do conjunto que vem sendo vítima dos ataques de ladrões e vândalos que se aproveitam dos imóveis vazios. Outra frase que sensibiliza é “aqui nascemos, crescemos e 40 anos depois estamos afundando e morrendo”. O movimento S.O.S Pinheiro mantém atividades de protestos contra a falta de informações precisas e definições. Nos bairros de Bebedouro e Mutange as famílias vivem momentos de angustia semelhante. Circulam rumores de que boa parte dos dois bairros será desocupado. Principalmente nas áreas que ficam perto dos poços da Braskem. O pedreiro Josemar Monteiro dos Santos já sabe que terá de sair de onde mora com a mulher e dois filhos, no Mutange. “Vou para onde? Não tenho como pagar aluguel e nem condição de comprar outro barraco. Estou desempregado”, cobrou, em lágrimas.

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