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Crise faz classe m�dia optar por�lojas populares e costureiras

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FÁTIMA VASCONCELOS Com o orçamento cada vez mais apertado, o jeito é empurrar muitos itens de consumo para a lista dos supérfluos. Assim, satisfazer a vaidade, vestir-se bem, com todos os acessórios que a moda exige, é um sonho distante da maioria dos trabalhadores de baixa renda. Mas como o brasileiro é mesmo criativo, para driblar a crise e pousar de bacana por aí, muita gente faz uma mistura de peças populares com outras de grife famosa encontradas em promoção. Nesse exercício criativo, as costureiras, mulheres simples e que geralmente trabalham em casa, em bairros periféricos, ganham novas clientes. É o caso de Maria do Socorro Lima. ?Muita gente vem aqui com a roupa pronta, de uma loja popular, inclusive do comércio, e até peças do camelô. O meu trabalho é transformar as roupas. Às vezes as pessoas pedem para fazer emendas com uma barra de artesanato do Pontal. Também está muito em gosto bordar as roupas com miçangas. Ou então pedem para desfiar as calças jeans, fazer franjas, colocar conchinhas do mar, coisas assim, fashion, como as roupas das butiques. Nas lojas populares são vendidos modelos iguais, em série. Por isso é barato. Então as pessoas compram e transformam. Mudam a gola, a manga, os bolsos. Nada fica igual. No começo eu estranhava, mas agora já me acostumei. O cliente quer peças exclusivas para não correr o risco de cruzar com alguém, usando o mesmo modelito que o seu?, esclarece a costureira. Ela explica que muita gente de salto alto, nariz empinado e que chega em sua casa dirigindo um carrão, leva calças jeans de lojas do comércio para serem transformadas. ?A crise financeira tá geral. Acredito que pouca gente tem dinheiro para investir em roupas de grife, principalmente quem tem mais de uma filha em casa. Tenho feito até biquíni na minha máquina de costura?, confessa. Populares A ordem é deixar de lado as lojas de grife e ir às compras nas redes de departamento ou de marcas mais populares. Antes voltado para a baixa renda, o segmento já percebeu a chegada dos novos clientes e vem investindo na modernização das unidades e na oferta de mercadorias que se assemelham às marcas renomadas. A diferença é o preço mais em conta. O consumidor, por sua vez, começa a entender que não precisa gastar pequenas fortunas para atualizar o guarda-roupa. O crescimento da procura por lojas populares fez com que os empresários do segmento revissem as contas e antecipassem os investimentos ainda para esse semestre. A rede Marisa, especializada em moda feminina, não perde tempo: mantém em suas araras confecções com modelitos atuais mas com preço acessível. Dá para perceber que as lojas populares mudaram a forma da exposição das mercadorias. As roupas estão dobradas em cima de mesas e os manequins nas paredes, em pontos mais valorizados. A proposta é tornar o empreendimento tão requintado quanto as butiques e as lojas de grife, só que com um custo final bem mais barato. Migração Os consumidores são trabalhadores que ganham até quatro salários mínimos. A baixa renda continuará sendo o nosso foco principal, mas os produtos e artigos oferecidos atendem às necessidades de uma clientela mais exigente. A migração da classe média para lojas mais populares virou uma tendência nacional. Os consumidores perceberam que podem encontrar qualidade, variedade e preços mais baixos garimpando em locais que não vendem roupas de grife famosa. O Grupo Bompreço também vem incrementando o conceito de loja de departamento. Para tanto, lançou a nova coleção de moda outono/inverno nos 28 hipermercados do Nordeste e nos três magazines localizados em Pernambuco, Alagoas e Bahia. De acordo com o gerente do setor têxtil, Antônio Negreiros, são modelos exclusivos que atendem às condições climáticas da Região Nordeste. A rede de lojas de departamento Riachuelo é outro destaque.

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