Economia
Setor sucroalcooleiro abre entendimento com governo
Edivaldo Junior O principal setor da economia alagoana, o sucroalcooleiro, responsável por mais de 20% do PIB (Produto Interno Bruto) do Estado ? somente na safra 2002/03 as usinas alagoanas registraram faturamento de R$ 1,9 bilhões - , começa a ?emendar os bigodes? com o governo estadual. Nos últimos anos, as duas partes estiveram separadas por disputas tributárias e judiciais. O afastamento, independente de entrar no mérito de quem é a razão, é ruim para Alagoas. O Estado perder não só a possibilidade de arrecadar mais, como também as chances de novos investimentos do setor no Estado. Na última década, por exemplo, pelo seis grupos alagoanos aportaram nos Estados de São Paulo e Minas Gerais com nove grandes empreendimentos (usinas e destilarias). No próximo dia 3, o presidente do Sindaçúcar/AL (Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool), Pedro Robério Nogueira vai participar de audiência com o governador Ronaldo Lessa para tentar iniciar, oficialmente, os entendimentos com o governo. ?Essa reunião é um bom sinal?, afirma. Expansão ?A verdade é que não existe espaços para investir na expansão horizontal do setor em Alagoas, por isso os investimentos são feitos necessariamente em outros Estados?, analisa o diretor comercial da Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool, José Ribeiro Toledo Filho. Ele no entanto admite que os empresários do setor poderiam, de fato, investir mais em Alagoas, especialmente em outros segmentos. Mas, propõe, para isso, um clima mais acolhedor. ?É preciso não só uma boa legislação. Mas também entendimento com as autoridades locais?, apontou. ?Parece que agora, vivemos uma nova realidade. O governador Ronaldo Lessa começou sua nova administração centrado no desenvolvimento e aberto ao entendimento?, completou. Incentivos O governador Ronaldo Lesas não esconde diferenças com o setor sucroalcooleiro. Mas, confirma o dialogo. E vai ainda mais longe. Promete uma legislação fiscal específica para o setor igual a dos outros Estados do Nordeste. Na prática, os empresários do setor cobram do governo incentivos fiscais, a exemplo do que já ocorre em Estados como Pernambuco e Paraíba. ?Se o problema for de legislação, vamos resolver. Vamos ter uma legislação igual a dos Estados nordestinos?, disse. Lessa, no entanto, antecipa, que o Estado não abrirá mão de receita. E também se diz aberto ao entendimento. ?Sei que não é viável os investimentos em novas usinas no Estado. Mas, os investimentos desses empresários em outros segmentos será bem-vindo. Temos todo o interesse em criar as condições para que eles invistam aqui?, resumiu.