Economia
Barreira da aftosa amea�a isolar pecu�ria de AL
EDIVALDO JUNIOR A pecuária alagoana está entre a ?cruz e a espada?. Ilhados do Brasil rico pela legislação de controle da febre aftosa, os criadores alagoanos vêem os prejuízos aumentar ano após ano. Desde 1999, com o fechamento das divisas, eles estão proibidos de vender ou transportar animais para 22 Estados. O comércio de animais só é permitido, hoje, com mais seis integrantes do Circuito Pecuário Nordeste: Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão. ?Estamos perdendo espaço na pecuária nacional?, desabafa o presidente da Associação dos Criadores de Alagoas (ACA), Álvaro Vasconcelos. ?Alguns selecionadores, a exemplo de Emílio Omena, Olival Tenório e Carlos Lyra, transferiram as criações de animais de elite para outros Estados. Este ano, eles mais uma vez ganharam prêmios na exposição internacional de Uberaba, mas com animais criados em outros Estados?, completa. Além de gerar desemprego e diminuição da atividade econômica, o isolamento, reforça o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Alagoas (FAEAL), Edilson Maia, se constitui numa grave ameaça para outros setores do agronegócio de Alagoas no curto e no médio prazo. ?Alguns países, como o Chile, perderam mercado para a exportação de frutas por causa da aftosa. Se não reagirmos, teremos restrições, como alertou o governo federal, a produtos agrícolas e agro-industriais. Nem mesmo as exportações de açúcar estão fora das possíveis sanções?, adverte. A contagem, a Delegacia Federal de Agricultura (DFA), é regressiva. ?Temos até o final deste ano para cumprir as exigências do Ministério da Agricultura. Do contrário, o limite para Alagoas reabrir suas divisas pecuárias poderá mudar de 2005, como está previsto hoje, para 2007 ou até mesmo 2009?, alerta o delegado Domício Silva. *** Faeal vai mobilizar criadores Unir forças e reagir. Esta é a proposta defendida pelo vice-presidente da Faeal, depois de participar, na sexta-feira, de reunião do Circuito Pecuário Nordeste, em Campina Grande (PB). Ele voltou de lá convencido de que o Ministério da Agricultura quer mudar a classificação de todo o País como ?zona livre? de aftosa. ?O governo está disposto a antecipar o prazo para 2004. Para isso é preciso que os Estados do Nordeste, classificados como zona de risco desconhecido, caso de Alagoas, adotem uma série de medidas. Vamos mobilizar a sociedade para que isto aconteça?, enfatiza Edilson Maia. Segundo o titular da DFA, entre as medidas pendentes apontadas por auditores do Ministério da Agricultura estão a atualização do cadastro agropecuário de Alagoas, atualização da legislação, cobertura vacinal de no mínimo 80% e controle efetivo do transporte de animais. ?Vamos colaborar, como sempre fizemos, para que Alagoas possa dar um passo adiante nesta questão. A DFA vai participar do esforço, junto com o governo do Estado, para que Alagoas possa mudar de classificação, ao menos para ?médio risco?, até o próximo ano?, defende. Até dezembro Alagoas terá de cumprir várias metas. O cadastro, explica Maia, ?é a espinha dorsal? do processo. ?A partir dele é que poderemos mobilizar barreiras e controlar a emissão de Guias de Trânsito Animal (GTA). Quando se a controla entrada e saída de animais do Estado e o fluxo interno, é possível controlar tudo que acontece no setor. O problema é que nosso cadastro está desatualizado. Então, esse será nosso ponto de partida?, diz. Edilson Maia está convencido de que é possível mobilizar a sociedade e o governo para a adoção das medidas exigidas pelo ministério da Agricultura ainda este ano. ?O secretário de Agricultura, Reinaldo Falcão disse que o controle da aftosa será prioridade do governo. O que vamos fazer é trabalhar com ele, para que tudo seja feito o mais rapidamente possível. Acreditamos que o secretário pode superar as dificuldades e avançar no controle da aftosa?, destaca. ?Vamos cobrar o engajamento do governo federal, das prefeituras, da iniciativa privada e, principalmente dos criadores. Só conseguiremos sucessos se houver o engajamento de todos os setores?, completa.