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Turistas somem e desemprego amea�a setor

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EDIVALDO JUNIOR O negócio do turismo está atravessando, esse mês, uma de suas maiores crises em Alagoas. Dados da Abav Associação Brasileira dos Agentes de Viagem (Abav) revelam que a ocupação hoteleira, está abaixo dos 40%. A retração já está provocando até desemprego no setor. ?Com os hotéis vazios as empresas do setor são obrigadas a fazer ajustes. Se tem poucos turistas no Estado, toda a cadeia produtiva perde e o resultado é o desaquecimento da economia e, infelizmente, demissões?, apontou o empresário Afrânio Lages Filho, presidente da Abav. Para os empresários do setor, a solução da crise só virá com mais investimentos em divulgação de Alagoas como destino turístico nos pólos emissores ? a exemplo de São Paulo, Goiás e Minas Gerais. ?Alagoas precisa seguir o exemplo de Estados como o Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará, que se transformaram em destinos mais importantes que o nosso apenas com a divulgação?, avaliou. A Abav reconhece as ações estruturantes do governo de Alagoas ? ?como a Construção do Centro de Convenções e as obras de infra-estrutura na região Norte? ?, mas reforça a necessidade de investimentos na divulgação de Alagoas e da relocalização de eventos como o Maceió Fest. O que traz o turista para Alagoas é a beleza das praias, a temperatura das suas águas e, principalmente a promessa de tranqüilidade. ?O turista vem ao nosso Estado para descansar. É descanso e praia. E é isso que temos de vender lá fora. Festas, quando mal conduzidas, atrapalham. Esse é o caso do Maceió Fest, que só traz de turistas os músicos e ainda complica o funcionamento do turismo convencional?, desabafa Lages Filho. Para a Abav, o ideal é que o governo ?venda? fora do Estado a imagem da Alagoas que os turistas gostam: praias, coqueiros, águas quentes, paz e tranquilidade. ?Esses são nossos melhores apelos?, reforça o presidente da Abav. O maior problema de grandes eventos populares, a exemplo do Maceió Fest, é o local totalmente inadequado de sua realização. ?O Recifolia, em Recife, está sendo transferido pelo mesmo motivo. A partir deste ano deixará de ser realizado na praia de Boa Viagem, para não atrapalhar o turismo nem causar transtornos à população. Maceió deveria seguir o exemplo?, recomenda. Hoje, o local ideal para a realização do Maceió Fest, segundo os empresários do setor, é o bairro de Jaraguá, dotado de espaço apropriado para esse tipo de evento. ?Acho que Jaraguá, que tem uma ampla área, estacionamento seria ideal para a realização do Maceió Fest. Lá esse evento não criaria problemas nem para a população local, nem para os turistas. Ao contrário, até ajudaria no processo de revitalização do bairro?, defende. *** Prefeitura relaciona falta de turistas à crise na economia internacional A secretaria municipal de turismo de Maceió confirma: a crise econômica que atingiu o mundo e afetou o Brasil, abalou a movimentação turística na capital alagoana. Apesar disso, afirma a secretária Perolina Lyra, Maceió está com uma taxa de ocupação hoteleira de 36%, segundo ela a maior entre as capitais nordestinas. ?Essa taxa de ocupação é considerada boa, num período de baixa temporada como o atual?, observa. Segundo Perolina, é inegável o refluxo da atividade, mas diferente dos empresários do setor, ela atribui a queda muito mais a fatores externos do que internos. ?Existe uma crise econômica internacional, que atinge todos os setores, incluisve nossa área. As companhias aéreas sabem disso. Temos uma conjuntura nacionao onde houve uma retração com as eleições. As pessoas preferiram observar sobre os rumos do país. Além disso, o país parou para as adptações do novo governo. Até agora, nesses seis meses, o governo federal não liberou um centavo para ninguém?, destaca a secretária. Segundo ela, a expectativa gerada depois do atentado às Torres Gêmeas, em Nova Iorque, em setembro de 2001, de que o turismo interno sairia fortalecido, não se concretizaram, porque logo depois a situação econômica do Brasil começou a se complicar. Perolina reconhece que falta infra-estrutura. ?Precisamos, por exemplo, de saneamento, e isso só podemos fazer em parceria com o governo federal?, diz ela. Enquanto isso não vem, a secretária diz que o município tem trabalhado em parceria com o trade turístico, usando a criatividade. ?Precisamos de divulgação. Em 2002 e 2003 já trouxemos quase 50 veículos de comunicação para Alagoas, em parceria com os hotéis, restaurantes e empresas aérea. O retorno veio em mais de R$ 900 mil em espaços na mídia em todo o país?, diz ela. Ela diz que a situação tem preocupado o setor, mas não é irreversível. Em 2000, a média de ocupação dos hotéis e pousadas de Maceió foi de 67,85%; em 2001 chegou a R$ 68% e em 2002 caiu para 57%. Nos três primeiros meses de 2003 a média se manteve em 63,6%, sem incluir abril (Semana Santa), que, segundo Perolina, foi lotado. A queda, segundo ela, começou mesmo em maio, mas a expectativa é de que no segundo semestre haja mais investimento e as taxas voltem a crescer. (Fátima Almeida)

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