Economia
Consumo compulsivo pode virar pesadelo
FERNANDA MEDEIROS Quem tem mania de fazer compras de maneira impulsiva, quem tudo o que vê quer comprar, dando um passo maior do que as pernas, pode transformar o prazer do consumo em um grande pesadelo. Pode comprometer o orçamento familiar e gerar dívidas impagáveis, tendo até que recorrer a empréstimos, sendo submetidos aos juros exorbitantes do mercado. O desejo incontrolável de comprar algo e a falta de planejamento levam consumidores à aquisição de produtos ou serviços desnecessários. Segundo o filósofo americano Jacob Needleman, 75% dos bens que existem no mercado são supérfluos, mas a verdade é que não conseguimos viver sem eles. ?O que o consumidor deve fazer, em primeiro lugar, é um levantamento do que ganha e comparar com as suas despesas fixas, do tipo: alimentação, aluguel, transporte, contas de água, energia, telefone, colégio dos filhos, planos de saúde, entre outras?, aconselha o economista e professor do Departamento de Economia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Luiz Antônio Cabral. Ele explica que, após esse levantamento, na ponta do lápis, o consumidor vai verificar se sobra algum dinheiro, depois de tiradas essas despesas essenciais e, aí, sim, planejar o que deverá fazer com a parte da renda que lhe restou. ?Só se deve comprar alguma coisa, depois de feita uma detalhada análise das condições de pagamento para evitar um endividamento que não possa pagar depois, o que poderá virar uma bola de neve, fazendo com que o consumidor recorra a cheques especiais, cartões de crédito ou outro tipo de empréstimo, o que é um péssimo negócio, no momento atual, visto que as instituições financeiras estão cobrando juros muito altos?, alerta. Sem controle Vale observar que, hoje, os juros dos empréstimos pessoais estão na faixa de 6% a 11% ao mês, dos cheques especiais, entre 8% a 12% ao mês, e os dos cartões de crédito podem chegar até mais de 12% ao mês, de acordo com o economista. Ele explica que algumas pessoas são assim mesmo: não controlam as despesas, têm uma compulsão para gastar, acham um produto interessante e, simplesmente, compram, vão efetuando gastos maiores do que a renda permite e, muitas vezes, não têm condições de pagar essas compras. Outro fator que leva ao excesso de gastos, segundo Luiz Antônio, decorre das fortes campanhas publicitárias do comércio, oferecendo produtos parcelados em um prazo relativamente grande, o que leva o consumidor a não pensar muito e partir para a compra, sem uma análise mais criteriosa. ?O consumidor se ilude com as supostas pequenas prestações e não faz as contas de quanto isso poderá refletir nas suas despesas e no preço final do produto que, muitas vezes, custa o dobro do preço de à vista?, observa, acrescentando que quando for comprar alguma coisa, o consumidor deve também pesquisar preços, pois há diferenças entre as lojas. ?Deve verificar, ainda, quais as lojas que oferecem melhores condições em termos de prazos de pagamento e taxas de juros. Para isso, deve somar as parcelas a pagar e comparar o total encontrado com o preço de à vista?, orienta. Se o consumidor não tiver outra alternativa senão a de recorrer a empréstimos, cartões de crédito ou cheques especiais, deverá analisar, segundo orientação do economista, qual o banco ou cartão que oferece menor taxa de juros. ?No caso do cartão de crédito o ideal é não parcelar as compras e quitar o saldo total do cartão nas datas de pagamento, para evitar a cobrança de juros?, finaliza.