Economia
Defla��o pressiona Copom a reduzir juros
São Paulo - Um dia antes do anúncio mais esperado do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) sobre os juros, a segunda prévia de junho do IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado) registrou deflação histórica. O índice, medido pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), apurou deflação de 0,66% nos preços, bastante superior ao recuo de 0,28% visto na segunda prévia de maio. No ano, o IGP-M acumula taxa de 6,27%. Nos últimos 12 meses, o índice alcança alta de 28,68%. Os preços no atacado foram os responsáveis pela redução de preços. O IPA (Índice de Preços no Atacado) registrou deflação de 1,19% e os preços ao consumidor registraram alta, porém menor que a observada em maio. O IPC passou de uma alta de 0,72% para 0,17% entre as segundas prévias de maio e junho. A segunda prévia de junho do IGP-M foi calculada com base em preços coletados entre os dias 21 de maio e 10 de junho. O resultado da segunda prévia do IGP-M especialmente em relação ao preços ao consumidor, abre espaço para uma redução de até 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros. A opinião é do coordenador da análises econômicas da FGV, Salomão Quadros, responsável pela divulgação do IGP-M. Segundo ele, os preços ao consumidor já dão sinais de que a inflação no varejo está menos resistente à queda. ?Há espaço para reduzir 0,5 ponto. A possibilidade que comprometa a inflação é muito pequena?, disse Quadros. Greve nacional Se o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central não reduzir a Selic na sua reunião iniciada ontem e que se encerra hoje, a Força Sindical vai buscar apoio de outras centrais para realizar no próximo mês uma greve nacional. A ameaça foi feita ontem pelo presidente da entidade, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que promoveu um protesto em frente ao prédio do Ministério da Fazenda, em São Paulo, para cobrar a queda dos juros. ?Vamos nos reunir com empresários para pressionar o governo a reduzir os juros, mas, se isso não acontecer, vamos discutir com os trabalhadores e suas centrais a realização de uma greve nacional?, afirmou. Paulinho reiterou que suas críticas buscam combater a política econômica do governo Lula e ?chamar a atenção do presidente.? Já o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, evitou falar sobre expectativas em torno da esperada queda dos juros básicos da economia. Ele voltou a repetir o ?mantra? da equipe econômica, de que a finalidade da política monetária é o combate à inflação. E indicou, mais uma vez, que as condições da economia estão em melhor estado do que no passado recente.