Economia
Pre�o alto faz cair consumo de g�s de cozinha
As revendedoras de Alagoas não querem admitir, mas o consumidor está economizando Gás Liqüefeito de Petróleo (GLP), o conhecido gás de cozinha. E o motivo é simples: o preço alto. Custando atualmente R$ 30, o botijão de 13kg está demorando mais a ser esvaziado, graças ao esforço das donas de casa para fazer o gás render por mais tempo. Evitar usar o forno, cujo consumo é elevado, usar panela de pressão, manter as panelas tampadas, cozinhar alguns alimentos em quantidade suficiente para toda a semana, são algumas medidas de economia que estão em vigor nas cozinhas do maceioense. Solicitando sempre que seus nomes e das empresas em que trabalham não sejam citados, gerentes de algumas distribuidoras admitiram apenas que o tempo de troca do botijão aumentou nos últimos meses. Mas garantem que continuam vendendo o mesmo volume dos anos anteriores. Os mais realistas, entretanto, reconhecem que o preço é de fato o principal estímulo do consumidor que faz economia. A própria Agência Nacional de Petróleo (ANP), órgão do governo, que fiscaliza o comércio de combustíveis, já mostrou a mudança no comportamento das donas de casa. Segundo a Agência, em 41 milhões de casas brasileiras o GLP é usado para cozinhar os alimentos. Mas apesar disso, o consumo baixou cerca de 15% nos últimos três anos. A explicação das distribuidoras é que o gás de cozinha é o único derivado do petróleo que não baixou de preço, apesar da queda no preço do dólar. Em conseqüência do preço alto, o consumidor tem demorado mais tempo para esvaziar seu botijão. Dados da ANP mostram que a média de troca subiu de 35 dias para até 50 dias. Algumas donas de casas ressaltam que muitas vezes a compra de outro botijão não é feita imediatamente porque as famílias não têm dinheiro. ?O botijão não rende tanto. Falta é dinheiro pra comprar? ? explicou Maria Helena da Silva, funcionária pública municipal, residente em Fernão Velho. As distribuidoras de Alagoas revelam, que em média, o consumidor faz a troca de botijão entre 20 e 30 dias. Mas, nos últimos meses, esse tempo subiu para 45 dias. Os gerentes garantem que os revendedores já trabalham com essa variação. Há fases em que fatores diversos explicam a redução ou crescimento do consumo. As fases de crescimento são as festividades como Natal e ano-novo, São João e Páscoa. Se o consumidor de classe B, C e D está adotando medidas de economia, para as populações mais pobres é praticamente impossível ter acesso ao gás de cozinha. Ao morador das favelas e grotões resta cozinhar com a lenha que conseguir.