Economia
Soja surge como alternativa na zona canavieira de Alagoas
Edivaldo Junior A Cooperativa Pindorama, localizada entre os municípios de Coruripe e Penedo está retomando uma experiência que pode mudar definitivamente os tratos culturais na zona canavieira no período de pousio da cana-de-açúcar: o plantio de soja, tendo como princípio a rotação de cultura, a adubação orgânica e, finalmente, o alto valor comercial do produto. Hoje, a prática que está se tornando mais comum, nas áreas de renovação de canaviais durante o inverno, é o plantio de feijão ? especialmente o de corda -, técnica que apresenta, como maior vantagem, a adubação orgânica. Mas, segundo o coordenador agrícola de Pindorama, Sérgio Piovesan, além de um menor retorno econômico, o feijão ainda pode deixar como resíduo um nematóide (verme de solo), prejudicial à lavoura da cana. ?Já existem experiências em vários Estados produtores demonstrando que a soja é melhor, como rotação de cultura, do feijão, além de seu alto valor comercial. Por isso, decidimos iniciar a experiência esse ano. Se der certo, a partir do próximo ano devemos iniciar o plantio comercial dessa leguminosa?, explicou o presidente da Cooperativa, Klécio dos Santos. Neste primeiro momento estão sendo plantados dez hectares da variedade ?conquista?, bastante cultivada na região de Barreiras (BA), na aldeia Planalto. De acordo com o coordenador agrícola, Sérgio Piovesan, o ciclo da planta é de 90 dias. Ele espera, ao final desse período, colher, mais do que grãos de soja, benefício como resíduos de matéria orgânica que vão se transformar em nitrogênio no solo. ?Esperamos, inicialmente, diminuir a necessidade de adubação e, a médio prazo, eliminar a fertilização com nitrogênio industrial?, destacou. Mercado No início dos anos 80, algumas usinas de açúcar de Alagoas chegaram a cultivar a soja comercialmente. O plantio foi suspenso, na época, por dificuldades de comercialização. Hoje, a situação é outra. A decisão de cultivar soja, explicou Klécio dos Santos, surgiu a partir das necessidades do mercado local, que importa o produto para a formulação de rações usadas na avicultura e suinocultura. ?O consumo alagoano é acima de 80 mil toneladas de soja ano. Ou seja, temos um mercado comprador e um produto extremamente competitivo. Tem tudo para dar certo?, disse. A idéia, inicialmente, é reduzir as importações da soja ? hoje principal produto de exportação brasileiro, responsável por uma receita anual de US$ 10 bilhões na balança comercial ? e reduzir custos da avicultura. Mas, a Cooperativa Pindorama, que tem como principal negócio uma destilaria de álcool e é a a maior produtora de frutas de Alagoas promete jogar pesado a partir do próximo ano, se a experiência der certo. ?Se a experiência der certo, no próximo anos vamos fazer um plantio em larga escala?, promete Klécio dos Santos.