Economia
Governo anuncia pacote para microcr�dito
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem um pacote de R$ 3,950 bilhões que vai abrir caminho para que aproximadamente 25 milhões de brasileiros tenham sua primeira conta bancária. Também serão concedidos empréstimos à população de baixa renda que deverão variar entre R$ 200 e R$ 600, com taxas de juros não superiores a 2% ao mês. ?Parece pouco para quem tem muito?, admitiu o presidente. ?Mas para uma mulher ou um homem que precisa ir numa loja comprar um aparelho simples para sua casa e pagar 330% de juros a uma financeira, 2% ao mês é quase uma revolução no spread para o financiamento para as pessoas mais pobres desse País.? Segundo o presidente, o objetivo das medidas é democratizar o acesso ao dinheiro e reduzir seu custo. ?Democratizar o crédito é também uma questão de cidadania?, afirmou. ?No Brasil, ele falta justamente para quem não dá calote, justamente para o pobre que compra e paga em dia, que não desvia o dinheiro, que não o remete para fora, que não tem conta em paraíso fiscal.? Em recursos novos, serão cerca de R$ 3,950 bilhões. ?Mas os valores serão crescentes?, assegurou o ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Do total, R$ 1,5 bilhão é o que o governo estima que os bancos destinarão aos microempréstimos. O dinheiro sairá de uma parcela dos depósitos à vista em poder dos bancos. Taxas de juros Haverá mais R$ 1,3 bilhão de recursos livres do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) que irão engordar as linhas de financiamento de capital de giro e de compra de material de construção que já são oferecidas pelos bancos. As taxas de juros desses empréstimos deverão cair. O pacote prevê ainda que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinará mais R$ 1 bilhão, também proveniente do FAT, para o microcrédito. Segundo o presidente da instituição, Carlos Lessa, 75% de todos os empréstimos que já foram concedidos nessa modalidade foram para trabalhadores da economia informal. Haverá, ainda, R$ 150 milhões em recursos do Tesouro Nacional para os fundos criados no Programa de Incentivo à Implementação de Projetos de Interesse Social (Pips). A primeira experiência nessa área deverá ser montada pela Caixa Econômica Federal (CEF) em parceria com a prefeitura de São Paulo, segundo o presidente do banco, Jorge Mattoso.