Economia
Diretores do BC n�o convencem CPI do Banestado
Brasília - Os deputados Moroni Torgan (PFL-CE), Sérgio Miranda (PCdoB-MG) e Roberto Freire (PPS-PE), da CPI do Banestado, não se convenceram com as explicações oferecidas na audiência pública de ontem pelos diretores do Banco Central José Maria Carvalho, do Departamento de Capitais Estrangeiros e Câmbio, e Paulo Sérgio Cavalheiro, do Departamento de Fiscalização. Para os três deputados, o Banco Central foi omisso. Carvalho explicou que os indícios de evasão de divisas através de contas de agências do Banestado em Foz do Iguaçu (PR) foram identificados por técnicos do BC em 1996. Somente três anos depois, em 1999, o BC revogou as autorizações especiais que facilitaram as transações comerciais entre Brasil e Paraguai, concedidas às agências daquela cidade paranaense. Foi a primeira audiência pública da CPI. Remessas A constatação de que remessas movimentadas em algumas contas eram incompatíveis com os dados cadastrais dos correntistas despertou a suspeita do Banco Central, que passou a investigar essas operações financeiras. O fato foi comunicado ao Ministério Público e à Secretaria da Receita Federal, mas a justificação para o atraso nas providências cabíveis (o Banco Central explica que tentava coibir novas operações nessas contas) não convenceram o deputado Moroni Torgan. Para ele, houve omissão das autoridades competentes. ?Não se entende porque não se fez uma portaria para sanar o problema já em 1996, quando a irregularidade já havia sido verificada duas vezes. Foi constatado que o dinheiro saía do Brasil, ia para o Paraguai, e voltava para o Brasil, com o selo do Banco do Brasil. Por que não se tomou uma atitude imediata?? - questionou Torgan, frisando que as remessas não eram de sacoleiros. ?É difícil acreditar que um sacoleiro tem R$ 10 mil para fazer compras para a sua sacola?. Sérgio Miranda também não ficou satisfeito com as explicações e disse que a política econômica do BC, à época, facilitou a evasão de divisas. ?O Banco Central proporcionou a criação desse propinoduto criado a partir de Foz do Iguaçu. E agora chega aqui e diz que não tem nada a ver com isso?? - indigna-se Miranda. Para ele, as facilidades criadas pelo BC ajudaram criminosos, corruptos e narcotraficantes e serviu para lavar dinheiro de grandes ricos brasileiros e do ?caixa dois? de certas empresas.