Economia
D�lar comercial sobe pelo quarto dia seguido
São Paulo - O dólar comercial subiu ontem pelo quarto dia consecutivo e encostou na barreira psicológica de R$ 3,00. Esta é a mais longa seqüência de alta da moeda americana nos últimos quatro meses (desde o final de março). O fracasso da operação de troca dos títulos da dívida externa brasileira detonou uma onda de compras de divisas. Resultado: o dólar fechou em alta de 1,12%, vendido a R$ 2,97. No dia, chegou a ser negociado pela cotação máxima de R$ 2,98 (+1,46%). ?Até o final de agosto, o dólar deve voltar à casa dos R$ 3??, prevê o economista do Unibanco, Alexandre Mathias. A desvalorização do real favorece os exportadores, pois os produtos do país ficam mais baratos no exterior. No entanto, a alta do dólar prejudica quem tem dívida e custos corrigidos pelo câmbio. Isso abre espaço para reajuste de preço (inflação). Entre os novos pretextos para pressionar o câmbio, está a avaliação dos bancos de que o governo Lula enfrenta um desgaste na batalha para aprovar as reformas tributária e da Previdência, marcada por resistência às propostas por setores como o Judiciário e os servidores públicos. Além disso, os bancos estrangeiros estão de olho em oportunidades mais atraentes de investimentos, como os títulos do Tesouro americano, que possuem ?risco zero??. Expectativa Há a expectativa de que esses grupos financeiros reforcem suas fichas nesses papéis. Isso significa que a euforia com os mercados emergentes, como o Brasil, que deflagrada no início do ano, está com os dias contados. Reflexo disso foi que o preço cobrado ontem pelos bancos estrangeiros do governo brasileiro na operação de troca de títulos da dívida externa. O Banco Central (BC) quis convencer os investidores a trocar os famosos C-Bonds por papéis novos. Não deu certo. Os bancos pediram taxas elevadas, e o BC não aceitou as ofertas para a recompra.