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“Cartel do leite” inviabiliza bacia leiteira, acusa sindicato

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MAIKEL MARQUES Sucursal Arapiraca ? O preço médio de 0,43 centavos de real pago pelas indústrias beneficiadoras - e que compõem o chamado ?cartel do leite? ? aos produtores dos 18 municípios integrantes da Bacia Leiteira são a principal causa da decadência econômica da região, que, além de enfrentar o período de estiagem e destruição de lavouras, assiste ao fechamento de dezenas fazendas e ao ?descarte? ou venda a preço irrisório do rebanho a partir do qual milhares de famílias tiravam o seu sustento. A avaliação é do produtor Domício Silva, diretor do Sindicato dos Produtores de Leite de Alagoas (Sindileite). Ele afirma ainda que o custo de produção do litro de leite revendido às indústrias beneficiadoras por R$ 0,43 centavos é de R$ 0,52 centavos. ?O produtor de leite paga para trabalhar?, afirma Domício. Além da produção ?no vermelho?, os produtores enfrentam ainda outro empecilho: o atraso em mais de 15 dias no repasse dos valores pagos pela entrega do leite à indústrias beneficiadoras. ?Em vez de contribuir pelo desenvolvimento da região, eles impõem preço único e ainda atrasam o pagamento de quem depende do recurso para sobreviver?, dispara Antônio Alves, presidente da Associação dos Produtores de Leite de Major Isidoro (Asplemi). Famosa até o final da década de 80 por ser uma das maiores produtoras do Nordeste a bacia leiteira de Alagoas, amarga hoje uma produção de apenas 300 mil litros diários. ?Produzíamos até 600 mil litros. Diante das dificuldades, a produção deve cair, nos próximos dois meses, para 200 mil litros?, avisa Carlos Tenório Amaral, produtor da região. Com a finalidade reverter a ?situação de penúria? dos produtores, o Sindileite reuniu, ontem pela manhã, em Major Isidoro, lideranças políticas numa ampla discussão com a finalidade de cobrar dos governos Estadual e Federal o incremento de políticas que beneficiem os produtores da região. Uma das reivindicações é a ampliação do programa do leite. ?O programa deveria beneficiar pelo menos 140 mil famílias que vivem à míngua?, diz Domício Silva. Ao final do encontro, que contou com a presença dos deputados federais Givaldo Carimbão e Maurício Quintela (ambos do PSB) e do deputado estadual Cícero Ferro (PMDB), os produtores decidiram encaminhar documento cobrando ainda das indústrias igualdade de preço pago aos produtores do centro-sul. ?O produtor do Sudeste recebe R$ 0,53 centavos pelo litro de leite; o do Nordeste, apenas R$ 0,43 centavos. Quando observamos o preço do litro de leite na prateleira do supermercado, ele é o mesmo nas duas regiões?, critica Domício Silva.

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