Economia
D�lar dispara e mercado tra�a cen�rio pessimista
São Paulo - O dólar comercial rompeu ontem a barreira de R$ 3,00, o que não ocorria desde 28 de maio. No primeiro dia de agosto, a moeda americana fechou vendida a R$ 3,035, uma alta de 2,22%. Durante a tarde, chegou a bater a máxima de R$ 3,045 (+2,56%). Entre as principais razões para o salto do dólar, estão o desgaste político do governo na tramitação da reforma previdenciária, a crise com os movimentos sociais (MST e sem-teto) e a menor atratividade dos títulos da dívida brasileira no exterior. ?Começou agosto, o mês do cachorro louco. Vamos enfrentar problemas sérios. Os investidores estrangeiros estão se livrando de papéis de risco e correndo para os de empresas americanas que fizeram grandes captações, como a Ford e a GM. Nosso C-Bond afundou feio?, diz o diretor da corretora Pioneer, João Medeiros. Os exportadores brasileiros festejaram a volta do dólar à casa de R$ 3,00. ?Sempre defendemos que a cotação ideal para a balança comercial era a moeda entre R$ 3,00 e R$ 3,20?, afirma o diretor da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro. Com medo de que o dólar suba ainda mais, os importadores aproveitaram o dia para reforças suas compras de divisas. Tendência de alta ?Há um cheiro no ar de que a moeda deve permanecer em alta com o clima político nublado em Brasília devido às negociações das reformas. Precavidos, os importadores preferem correr logo para garantir cotações mais baixas?, diz o gerente de operações da corretora Novação, Decio Pecequilo. O impasse entre o Planalto e os governadores sobre pontos cruciais da proposta de reforma previdenciária serve de pretexto para o clima de nervosismo. ?O que preocupa o mercado é o fato de que os governadores não querem dividir o ônus político das reformas nem desagradar o Poder Judiciário?, diz o gerente do banco Sudameris, Fábio Galdino de Carvalho. A crise política em Brasília levou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a adiar sua viagem à África, agendada para a próxima semana. A tendência é que a moeda americana permaneça acima de R$ 3,00 nos próximos dias. Segundo o diretor da corretora Pioneer, já se fala que em dólar a R$ 3,30 no final do ano. O dia foi movimentado, com o mercado de câmbio negociando mais de US$ 1 blhão.