Economia
Pre�o do trigo cai mas p�o continua caro
Há cerca de um ano os panificadores se queixaram do alto preço do trigo, durante a escalada do dólar a patamares acima dos R$ 3. Agora, com a queda da moeda americana, a farinha de trigo baixou, mas o preço do pãozinho de 50 gramas não foi alterado. Segundo o presidente da Associação dos Panificadores do Estado, Valdomiro Feitosa, o pão não baixou porque em Maceió ele não chegou ao preço que deveria quando o dólar estava mais alto. ?Na alta da farinha de trigo o pãozinho deveria ter custado R$ 0,35, como aconteceu em outras capitais do Nordeste, a exemplo de Aracaju, Fortaleza, Salvador, Recife, entre outras. Em Maceió, o pãozinho de 50 gramas não passou de R$ 0,25 e atualmente já não está mais nesse valor. A média é de R$ 0,20, mas tem padarias que vendem a R$ 0,17, R$ 0,15 e até R$ 0,10?, explicou Valdomiro. Ele acrescentou que atualmente quase não se fala em venda unitária do pão francês e sim comércio por quilo. ?É importante verificar nos locais que vendem o pão a valor unitário, e a R$ 0,10, se o peso está correto. O custo médio do pãozinho é de R$0,14. Não é possível uma padaria comercializar a menos que isso. Nós temos que computar o preço da matéria-prima, o aluguel do prédio, energia, encargos com funcionários e tributos. As padarias que vendem o pão a R$ 0,10 estão na informalidade, ou não pagam imposto da farinha ou não registram os funcionários. Alguma coisa está estranha?, afirmou. Valdomiro disse que a maioria das padarias só comercializa o pão por quilo. A média está entre R$ 3 e R$ 5 o quilo do pão. ?Se as panificadoras fossem sobreviver apenas da venda do pão muitas teriam fechado às portas. Nós vivemos da diversificação do negócio?, observou. Consumidor anda mais apenas para economizar O consumidor alagoano procura o menor preço antes de comprar o pãozinho de 50 gramas. Como a concorrência entre as padarias é grande, devido a quantidade existente em Maceió, a população deixou de ser fiel a uma determinada panificadora, a não ser que o maior atrativo seja o melhor preço. A estudante Ylana Nunes de Souza disse que na esquina de sua casa existe uma padaria, mas, duas quadras adiante há outra. ?Antes eu preferia comprar na padaria mais próxima. Hoje, procuro ir na que vende mais barato. No estabelecimento localizado mais perto da minha casa o quilo do pão é R$ 4 e na mais distante está R$ 3. Prefiro andar um pouco mais e economizar?, afirmou. A dona de casa Quitéria de Araújo acha um absurdo o preço do pão continuar acima dos R$0,10. ?É um abuso dos panificadores. O preço da farinha baixou, mas o pão não. Antes era possível comprar dez pães por R$ 1. Hoje é raro encontrar uma padaria que venda nesse preço?, frisou. Para a enfermeira Angélica dos Santos o governo deveria tabelar o pãozinho, pois trata-se de um alimento que é indispensável para a maioria da população carente do País. ?O governo deveria subsidiar de alguma forma o pão francês, evitando que os preços subam e os panificadores cometam abusos. Muita gente que não tem dinheiro para se alimentar de forma digna depende do pão?, opinou. O comerciante Wellington Moraes afirmou que o pão francês deveria ser mais barato. Porém, ele não acha o produto caro nos valores atuais. ?Não costumo freqüentar uma padaria só. Já comprei pão a R$ 0,15, a R$ 0,17 e a R$ 0,20. Muitos panificadores querem obter mais lucro em cima da população, mas o pãozinho ainda é o alimento mais barato que existe?, ressaltou.