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Vendas devem iniciar reaquecimento da economia

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São Paulo - O pior momento da atividade econômica está passando e a hora da virada no ritmo de produção e vendas está próxima. A perspectiva de que a retomada será proporcionada pela melhoria nas condições de renda e crédito, que já começou a se esboçar, é avaliação consensual entre economistas de institutos de pesquisas, entidades setoriais, bancos e consultorias independentes. Os números que estão sendo divulgados agora de queda na produção mostram uma situação passada da atividade, dizem os técnicos. Os sinais do alívio, no entanto, deverão se tornar mais claros e consistentes no fim do ano. ?A economia está no ponto de inflexão?, diz o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), Heron do Carmo. Com recuo dos juros e da inflação nos últimos meses e uma parcela dos trabalhadores recebendo neste segundo semestre reajustes pela inflação passada, que foi bem maior, haverá melhoria nas condições de renda e crédito. Isso deverá levar à retomada do consumo, especialmente de bens duráveis. Segundo Heron, como os estoques estão elevados, a tendência é de que as indústrias tentem compensar a redução de margens sobre o produto com vendas maiores. ?Para alavancar os negócios, as empresas podem até segurar preços no fim do ano, que é um momento de vendas importante para as companhias. E elas sabem bem disso.? Um indício de que essa reação já estaria ocorrendo pode ser notado na média diária do número de consultas para o crediário recebida pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP). No mês passado, o volume de consultas ficou 3,1% acima do registrado em junho. Segundo o economista da ACSP, Emílio Alfieri, o aumento das vendas a prazo em relação ao mês anterior pode ser reflexo do corte nos juros. ?Todo mundo já reduziu um pouquinho as taxas. Estamos no caminho certo da recuperação.? Para o economista da Tendências Consultoria Integrada Fernando Montero, a recuperação é certa neste semestre, mas o difícil é afirmar com segurança o momento preciso em que vai ocorrer a virada. Segundo ele, o cenário que se abre no segundo semestre é de inadimplência controlada, taxas de juros futuros em níveis pré-crise, corte na taxa básica de juros (Selic), inflação baixa, alguma recomposição salarial e injeções extraordinárias de renda, como aumento das aposentadorias, além do reaquecimento do ritmo de atividade, que é normal nesse período do ano e ajuda a melhorar as expectativas. ?A confiança é vital para a retomada que pode se iniciar no varejo em algum momento do terceiro trimestre para ganhar força no quarto trimestre.? Ele pondera que, por causa dos estoques elevados, a reação será sentida primeiro no comércio. ?Estamos num ponto de inflexão da atividade, mas ainda numa área negativa?, ressalta o assessor econômico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, Fábio Pina. Ele observa que aparentemente o cenário econômico parou de se deteriorar.

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