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“Quem roubar energia ser� flagrado pela pol�cia”

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EDIVALDO JUNIOR Evangélico, sindicalista e militante de ?carteirinha? do PT, Joaquim Brito é o primeiro funcionário da Companhia Energética de Alagoas (Ceal) a assumir sua presidência. Ele chegou ao comando da maior empresa de Alagoas, com faturamento acima de R$ 400 milhões ano, no começo de maio deste ano. E encontrou um quadro de grave crise. Inadimplência crescente, perdas e roubo de energia acima da média nacional e desânimo dos funcionários eram apontados na época como os principais desafios a serem vencidos. Dois dias antes da posse (dia 06 de maio) ele prometeu, em entrevista à GAZETA DE ALAGOAS, ?sacudir? a companhia. ?Vamos dar um choque de credibilidade?, antecipou. Na última sexta-feira à tarde, dois dias após completar três meses no comando da Ceal, Joaquim Brito recebeu, durante a realização de solenidade de lançamento do Reluz (programa destinado à melhoria da iluminação pública nos municípios), a GAZETA DE ALAGOAS para fazer, em entrevista exclusiva, um balanço do seu trabalho. Nesse curto período, o novo presidente conseguiu importantes avanços. O maior deles é a queda da inadimplência, que recuou de 8% para 4,5%. Ele também conseguiu, pela primeira vez, fazer um acordo salarial ?pacífico?, com ganhos para os trabalhadores e se prepara para fazer investimentos importantes, a exemplo da retomada do programa Luz no Campo e construção de novas subestações. Nesta entrevista, Joaquim Brito revela os próximos passos e avalia o caminho já percorrido. E manda um recado duro para os consumidores que roubam energia. Ele assegura que quem continuar desviando energia será tratado como ladrão e pego em flagrante pela polícia e pelos técnicos da Ceal. GAZETA DE ALAGOAS ? A tarifa de energia em Alagoas deve aumentar até o fim de agosto. Qual será o percentual de reajuste? Joaquim Brito ? A expectativa é entre 27% e 30%. Mas, na verdade, não é um reajuste. É uma recomposição tarifária que a Agência Nacional de Energia Elétrica estabelece dentro do contrato de concessão da empresa, avaliando o índice de performance e os custos da empresa. É uma prerrogativa da Aneel. - Como está hoje a inadimplência no Estado? - Está caindo. Quando assumimos era em torno de 8% e hoje estamos próximos aos 4,5%. Também conseguimos reduzir as perdas de 27,5% para 25%. Esse percentual soma as perdas por desvio, por roubo e perdas técnicas. Temos 150 mil consumidores entre clandestinos e roubo de energia. A Eletrobrás aprovou financiamento para a gente agora de R$ 4 milhões do programa redução de perdas, para regularização dos clandestinos. Com essa ação, nós esperamos baixar pelo menos cinco pontos nas perdas, reduzindo esse patamar para 20%. - E quanto às dívidas antigas? - Hoje nós temos uma inadimplência acumulada de R$ 110 milhões. Desse total, R$ 60 milhões são protegidos por medidas judiciais. Mas nós estamos numa relação muito boa com o Tribunal de Justiça e acreditamos na agilização das medidas, para que a gente possa ter direito de cortar os devedores, e nossa meta esse ano é recuperar 20% dessa inadimplência, no caso R$ 20 milhões. E adianto que todo e qualquer recurso de inadimplência será usado para investimento. Nós precisamos construir, urgentemente, as subestações de 69 KV de Murici, são Sebastião, Mata Grande e na Serraria, em Maceió. E estamos inaugurando a subestação de Maragogi no dia 16 de setembro, que vai garantir o abastecimento de energia com absoluta confiabilidade na região Norte. ? Como está o relacionamento da Ceal com os políticos e empresários? ? Queria registrar a boa vontade dos prefeitos e da sociedade com a Ceal. Acho que tem faltado ao longo do tempo uma presença mais efetiva da companhia no meio político e empresarial. Nós estamos corrigindo isso. - O senhor também pretende atuar na área de geração? - Nós temos projetos de geração na área de fontes renováveis de energia. Nós queremos ser parceiros da construção da termelétrica em Alagoas. Essa discussão está sendo feita com o Estado. E a Ceal topa participar minoritariamente nesse empreendimento. Temos também interesse nas pequenas centrais hidrelétricas, em energia eólica, biomassa, biodiesel, etc. Estamos apostando em parceria para fortalecer a exploração de energia. - O senhor disse que vai enfrentar o desvio de energia com uso de modernos equipamentos? Como será feito esse trabalho? - Hoje temos detectores de desvio de energia. Quando a Ceal, através do seu sistema de informática, de telemedição, observa que está havendo uma variação de consumo em determinada área, esses detectores são instalados em determinados pontos. Cada monitor observa de 80 a 100 consumidores simultaneamente. E no momento que ele detecta um roubo de energia aciona o telefone celular de um dos gestores do programa. Quando ele aciona significa dizer que o desvio está acontecendo naquele momento. Aí nós acionamos a delegacia especial de combate à fraude de energia e o flagrante é lavrado. Em menos de um mês conseguimos pegar três grandes consumidores em flagrante. Mas nós não temos prazer em fazer isso. Queremos que as pessoas se eduquem, porque é muito feio para um empresário, para um político, ser abordado pela polícia por roubo de energia. Por isso, eu aconselho, quem tiver desvio tire, porque será flagrado. É uma questão de tempo. Vamos pegar todos, sem trégua. - O senhor prometeu dar uma sacudida na Ceal depois que assumisse a presidência. Como está hoje a situação? - Nós já fizemos o acordo coletivo com os funcionários com a mais ampla tranqüilidade. E quero dizer que nossos funcionários são da mais alta qualidade técnica. Já contratamos uma consultoria para elaborar o plano de cargos e salários, para assegurar a ascensão funcional dos servidores e já estamos traçando uma política de qualificação de recursos humanos. E também estamos adotando medidas disciplinares. Temos inquéritos administrativos abertos, inquéritos da Justiça Federal. Estamos retomando programas como o Luz no Campo, que deve ser aprovado já na próxima semana. Hoje (sexta-feira), estamos lançando o Reluz, um programa que vai levar recursos para as prefeituras tornarem mais eficiente a iluminação pública. E ainda existem dezenas de outras questões sendo encaminhas e discutidas, o sentido de recuperar a empresa e garantir que ela cumpra o papel de contribuir com desenvolvimento do Estado e prestar um bom serviço à coletividade. - E quanto à meta de universalização. A Ceal vai cumprir o prazo? - Hoje ainda temos 60 mil famílias sem energia no Estado. Nossa meta de universalização é para garantir energia a todo cidadão no Estado até 2015. Nós queremos antecipar isso para 2008. Já esse ano, vamos começar uma experiência piloto em três municípios com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

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