Economia
Vendas do varejo despencam 11,42% em AL
EDIVALDO JUNIOR O desempenho do comércio varejista de Alagoas continua negativo. Em junho, o volume de vendas no Estado despencou 12,22%. É a terceira queda seguida (-9,93% em abril e -15,52% em maio). No primeiro semestre deste ano, a redução é de 11,42%, se comparado a igual período de 2002. Os dados constam da Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada, ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. No ranking nacional, Alagoas teve o quarto pior desempenho, com resultado melhor, no acumulado até junho, apenas do que os estados do Acre (-13,97%), Amazonas (-12,76) e Espírito Santo (-13,28%). No acumulado dos últimos doze meses, o desempenho de Alagoas é negativo em 4,81%. Esse é o pior resultado dos últimos anos. E é fruto, segundo a Câmara dos Dirigentes Lojistas de Maceió, da estagnação econômica que atinge o País, da alta taxa de juros e, principalmente, da perda do poder aquisitivo do trabalhador. Nacional A situação em todo o Brasil, apesar de mais amena, não é muito diferente de Alagoas. As vendas do varejo despencaram mais uma vez em junho e fecharam os primeiros seis meses do ano com o pior desempenho acumulado semestral da série histórica da pesquisa mensal de comércio do IBGE, iniciada em janeiro de 2001. Os reajustes de preços, a alta dos juros, o aumento do desemprego e a queda na renda dos consumidores provocaram uma retração no faturamento do setor no Brasil de 5,37% em junho ante igual mês do ano passado ? a sétima redução consecutiva nessa base de comparação. No acumulado do primeiro semestre, houve queda de 5,57%. Ainda assim, a receita nominal de vendas do setor cresceu 14,96% em junho e 15,24% no primeiro semestre. A diferença nos resultados é explicada pelo fato de os comerciantes terem buscado recompor suas margens de lucro aumentando preços. O técnico do Departamento de Comércio do IBGE, Nilo Lopes, informou que a inflação do comércio subiu 21,48% em 12 meses finalizados em junho. A variação ficou abaixo do Índice de Preços por Atacado (IPA), uma das referências de custos do varejo, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que subiu 35,4% no período, mas acima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registrou em 12 meses até junho variação de 16,57%. Em junho e no semestre, as vendas dos segmentos que dependem diretamente da renda, como alimentos e bebidas, ou do crédito, como móveis e eletrodomésticos, foram os destaques negativos da pesquisa. Todos os segmentos pesquisados pelo IBGE apresentaram queda no faturamento nos dois tipos de comparação. O aumento do desemprego e a queda no rendimento real dos trabalhadores mantiveram em junho os impactos negativos sobre as vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-8,27%), o grupo com maior peso na pesquisa. O segmento vem registrando queda nas vendas há dez meses consecutivos, sob impacto também do crescimento da inflação a partir do fim do ano passado. Houve queda acumulada de 6,63% no primeiro semestre deste ano. O técnico do IBGE não acredita, porém, em reversão imediata dos sinais negativos. Lopes disse que o varejo ?deve começar a diminuir o ritmo de queda nas vendas a partir dos dados de julho, mas não dá para esperar taxas positivas?. Segundo ele, o controle da inflação e a trajetória de queda dos juros deverão melhorar gradualmente o desempenho do comércio a partir de agora.