Economia
D�lar cede 0,50% e fecha abaixo dos R$ 3,00
São Paulo - O mercado cambial operou nesta sexta-feira sob influência do blecaute nos Estados Unidos e Canadá. O dólar desvalorizou 0,50% ontem e fechou abaixo dos R$ 3 pela primeira vez na semana. No fim do dia, US$ 1 valia R$ 2,994. A queda refletiu uma correção dos preços, após o vencimento da dívida cambial do dia anterior. No início desta semana, a moeda americana ficou pressionada. Havia o interesse dos credores (tesourarias de bancos, em especial) de elevar as cotações para obter uma maior remuneração do governo na hora do resgate dos papéis cambiais. ?Foi um movimento especulativo: mais uma vez, as instituições financeiras ganharam com os contratos de swap. Depois de auferir esses lucros, é natural uma correção do dólar pelo mercado?, diz o analista da corretora Liquidez, Mario Paiva. Na próxima semana, o Banco Central deve começar a rolar mais uma dívida cambial de US$ 2,4 bilhões com vencimento em setembro (US$ 930 milhões no dia 1 e US$ 1,4 bilhão no dia 17). O primeiro leilão deve ocorrer na próxima quarta-feira. Para justificar a baixa do dólar nesta sexta-feira, alguns operadores resgataram boatos da semana passada sobre uma possível melhora da nota do Brasil por um agência de classificação de risco. ?Essa história é uma balela. Não mexeu com os negócios?, afirma Paiva. O blecaute nos EUA e no Canadá foi minimizado pelo mercado. Segundo o analista da Liquidez, houve uma redução dos negócios, pois muitas instituições ficaram em compasso de espera, em busca de detalhes sobre o incidente. ?O apagão deixou o mercado mais cauteloso, preocupado.? Segundo Paiva, a conclusão da votação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara foi a principal notícia da semana. ?O mercado viu com bons olhos o andamento da reforma, apesar das concessões do governo.? Na semana, a moeda dos EUA acumulou uma leve alta de 0,23%. No entanto, registra baixa de 0,84% no mês e de 15,5% no ano. Na BM&F, os quatro vencimentos de dólar futuro negociados projetaram queda. O paralelo fechou em R$ 3,007, com recuo de 0,86% e ágio de 0,50%. Risco Os principais títulos brasileiros negociados no exterior operaram com leve valorização nesta sexta-feira, após o blecaute que atingiu parte dos Estados Unidos e Canadá no final da tarde de quinta-feira. O C-Bond, principal título brasileiro negociado no mercado internacional, teve alta de 0,14%, cotado a 87,25% de seu valor de face. Já o risco Brasil subiu 1,28%, para 794 pontos.