Economia
Queda dos juros j� estimula economia, diz Meirelles
Brasília - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles fez um discurso bastante cauteloso para evitar que suas palavras pudessem ser interpretadas como finalização de decisão sobre o futuro da taxa básica de juros, que será decidido na próxima semana pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Na próxima quarta-feira, o Copom anuncia a decisão sobre o juro básico do país, atualmente em 24,5% ao ano. Destacando, por mais de uma vez, que falava apenas de constatações sobre o que já aconteceu e de perspectivas de médio e longo prazo, Meirelles disse que já estão dadas as condições para a retomada do crescimento da economia. Questionado sobre quando os efeitos da redução do compulsório poderiam ser sentidos na economia, Meirelles foi enfático: ?em vésperas de reunião do Copom nós não fazemos comentários sobre conjuntura ou situações de curto prazo?, disse. Henrique Meirelles enfatizou que o nível de atividade é determinado pela estrutura de taxas de juros de médio prazo. Ele ressaltou, no entanto, que os efeitos das taxas de juros sobre a atividade levam algum tempo para serem sentidos. ?Há uma defasagem neste efeito. Assim, a atividade da economia brasileira hoje está sendo determinada pelas taxas de juros de médio prazo vigentes em janeiro?, disse. Ele acrescentou que naquele período os juros de médio prazo estavam próximos de 33% no swap de 360 dias em decorrência da expectativa de inflação elevada e da incerteza existente no início do ano. ?Os juros de médio prazo estão hoje um pouco acima de 21% no swap de DI de abril e esta redução certamente está impulsionando a retomada da atividade econômica, principalmente a partir do último trimestre do ano?, afirmou. Segundo ele, o BC busca criar condições para crescimento sustentável e não para bolhas. Ele destacou que o governo Lula vem demonstrando um compromisso com a estabilidade macroeconômica, requisito essencial para o crescimento sustentado. Meirelles destacou também a importância do ajuste fiscal com a adoção de uma meta de superávit de 4,25% no PIB para 2003. Ele explicou que a obtenção de consistentes superávits primários deverá possibilitar uma forte diminuição da relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto).